Comportamento
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Em casa há pelo menos 100 dias, muita gente acabou se apegando ao que, no início da pandemia de coronavírus, parecia assustador: trabalhar, estudar, fazer compras e se divertir em casa, sem contato com outras pessoas. O comportamento curioso ganhou até nome: Síndrome da cabana, uma dificuldade anormal de deixar o conforto do lar para conviver socialmente.

Com a crise de saúde mundial, surgiu também a Fear of Going Out (do inglês, medo de sair de casa). Ambas carregam algumas características em comum, e tendem a ser sazonais. Sequelas emocionais do momento histórico que vivemos, não são consideradas patologias, mas um mecanismo de defesa natural da mente.

A psicologia já trata, inclusive, de uma futura pandemia de saúde mental. “Pessoas que, antes, eram consideradas ‘funcionais’ psicologicamente falando, desenvolveram sintomas que vão desde um quadro mais leve, como distúrbios do sono, irritação, problemas com apetite; até questões mais severas como depressão, pânico e ansiedade. Isso, sem mencionar o burnout dos profissionais da saúde que estão exauridos pela demanda e cenário atual”, explica a psicoterapeuta Sabrina Amaral, graduada em psicologia e pós-graduada em gestão estratégica de pessoas.

Segundo a terapeuta, o Conselho Federal de Psicologia e outras sete entidades criaram um site com o objetivo de reunir em só lugar diversas informações, notícias, cursos, legislações, materiais, entre outros conteúdos, que possam oferecer orientação sobre saúde mental para auxiliar a atuação de profissionais da área durante o período de pandemia. Isso porque a demanda aumentou substancialmente nos últimos meses. Muitos, inclusive, oferecem ajuda gratuita na internet.

Retomada

Com o retorno do comércio e atividades em geral, voltar às atividades sem sentir medo do próximo e de contrair a doença são dois desafios à sanidade.

Na visão da profissional, existem alguns passos importantes a seguir. Primeiro, respeitar seu tempo emocional. “Não se obrigue! Pare de se comparar com os outros e faça as coisas no seu tempo”, diz.

A segunda recomendação é focar no que está ao seu controle. “Você não controla a pandemia ou o vírus, mas pode definir ações que estão no seu controle e vão diminuir sua ansiedade como usar máscara, higienizar as mãos com álcool gel, evitar aglomerações, não entrar com os mesmos calçados que usou na rua dentro de casa… e assim por diante”, emenda a especialista.

Respira, inspira, não pira

Veja alguns exercícios simples para fazer antes de sair de casa, além, é claro, de se prevenir usando máscara de proteção e álcool em gel.

  1. Tome as devidas precauções para aliviar a preocupação;
  2. Faça exercícios de respiração. Eles ajudam a acalmar a mente (inspire contando até 4, retenha o ar contando até 2 e expire contando até 6);
  3. Técnicas de atenção plena (mindfulness), como a ancoragem, tiram a mente dos pensamentos negativos projetados para o futuro e trazem você para o aqui e agora;
  4. Ouça áudios de relaxamentos guiados, que diminuem o nível de tensão.
Como saber se é hora de procurar atendimento especializado?

Em todo caso, se sentir que o nível de ansiedade está maior do que o suportável, busque ajuda profissional. “Estabeleça um parâmetro e compare-se a si mesmo ao longo das semanas. Por exemplo, medindo o nível de ansiedade numa escala de 0 a 10 no primeiro dia de retomada”, conta.

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