Polícia
Foto: Arquivo Pessoal

O caso de desaparecimento de um jovem de 19 anos no município de Alegria, na região noroeste do Estado, causa espanto na pequena localidade. Há cerca de quatro meses, na tarde de 11 de dezembro, Gabriel Rodrigues Maciel saiu de casa e nunca mais retornou. 

No município, que tem população de cerca de 3,3 mil pessoas — conforme estimado em 2021 pelo IBGE —, o sumiço causou comoção e levou familiares, vizinhos e amigos a procurarem pelo jovem, sem sucesso. O caso também é investigado pela Polícia Civil.

De acordo com o delegado que responde pelo inquérito, João Vittório Barbato, a polícia apura  se o jovem pode ter sido vítima de algum crime, se fugiu para viver em outra cidade ou se teria atentado contra a própria vida. 

Essa última hipótese passou a ser considerado depois que familiares e amigos ouvidos na investigação relataram que perceberam uma mudança no comportamento de Maciel um tempo antes do desaparecimento.

— Até o momento, não há nenhum indicativo de que ele possa ter sofrido algum crime, como um sequestro. Há relatos de que ele estava depressivo. Antes, ele era bastante alegre, mas de um tempo para cá começou a ficar mais quieto, fechado. Então a gente investiga também essa hipótese de que ele tenha ido para um local mais afastado e cometido suicídio — diz o delegado.

Ainda segundo a polícia, uma namorada do jovem teria terminado o relacionamento com ele algum tempo antes do sumiço. Até o momento, cerca de 10 pessoas foram ouvidas no caso. O jovem não tinha antecedentes criminais.

Conforme a família, Gabriel trabalhava como ajudante de pedreiro em uma obra na cidade e estudava. O jovem, que nasceu em Alegria, morava com os pais e não tinha desavenças. No dia do desaparecimento, ele saiu de casa apenas com a roupa do corpo e o celular, sem informar para onde ia.

Segundo o pai, o aposentado Jair Marques Maciel, 47 anos, Gabriel havia mudado nos últimos tempos, mas não conversava sobre o que estava acontecendo:

— Ele era brincalhão, chegava do serviço cantando, conversava. Mas um mês depois que terminaram o namoro, ele mudou muito. Chegava aqui, tomava banho e ia para o quarto, quieto. Não falava muito com a gente. Estava bem triste nos últimos dias. Mas a gente nunca pensou que ele iria sumir assim. A gente não sabe se foi para um município vizinho, se ele se mudou. Já fomos em alguns locais, mas nada dele. A gente tem esperança que ele esteja em algum lugar.

Jovem era apegado à família

No aniversário de Gabriel, em 6 de abril, na quarta-feira passada, em vez de comemoração, a casa da família foi preenchida com o silêncio. A mãe dele, Clacir Rodrigues, 50 anos, relata que, com a falta de informações sobre o filho, tem dificuldades para dormir e comer:

— Está sendo muito difícil para a gente. Ele é um menino muito bom, nunca fez nada para ninguém. Era trabalhador, honesto. Estava sempre brincando, dançando, cantando. Quando entrava no chuveiro, cantava alto. Antes de dormir, vinha nos abraçar, dar boa noite. Mas nos últimos tempos, ele virou outra pessoa. De repente, ele estava com depressão e a gente não percebeu.

Ainda segundo a mãe, o jovem não tinha o hábito de sair de casa sem avisar. Após quatro meses, a família segue tentando localizar Gabriel.

— Se ao menos a gente soubesse que ele está bem, em algum lugar, mas não sabemos. A gente fica com o coração apertado. Toda a família está assim, os irmãos choram. Não sabemos por onde ele anda. São quatro meses sem uma resposta, sem nada.

A polícia afirma que segue com a investigação. As equipes conseguiram autorização judicial para quebrar o sigilo do telefone de Gabriel, mas as informações não trouxeram avanços, segundo o delegado. Também foram feitas diligências em municípios próximos à localidade, mas nenhum indício que leve ao jovem foi encontrado até o momento.

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Gaúcha ZH