Economia
Foto: Mauro Schaefer

Um fantasma que assombrou os brasileiros entre os anos 80 e 90 resolveu dar um “oi” neste ano de 2020. Não da mesma forma como era, por isso apenas um aceno. Em 1989, a inflação atingiu o patamar dos 2.000% ao ano. Mas 31 anos depois, com uma inflação dita como controlada, que pode fechar na casa dos 3%, o súbito aumento de preços, em agosto, de pelo menos quatro produtos da cesta básica – como o arroz, carne, feijão e leite -, que salta aos olhos dos consumidores ao observarem as gôndolas dos supermercados, fez surgir o temor da volta deste problema. Um saco de arroz de 10 quilos, por exemplo, que antes custava entre 8 e 10 reais, agora pode ser encontrado por quase 30 reais. Conforme dados do Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IepeUFRGS), o produto teve uma alta de 2,43% em agosto e já acumula uma inflação de 12,82% no ano. O grupo alimentação participa em aproximadamente 35% na composição da inflação. Somente nos últimos 12 meses, os preços deste segmento avançaram 5,99% na Região Metropolitana de Porto Alegre, o que corresponde a um crescimento que é o dobro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Iepe). A alta no valor de itens básicos, de outros alimentos e até dos combustíveis, com preços que chegaram a cair no primeiro semestre, mas que agora estão se recuperando da queda, tem acertado em cheio o bolso das famílias, principalmente daquelas que ganham menos. Economistas acreditam que se trata de um fenômeno relacionado à conjuntura econômica e agrícola atual, com fatores como a desvalorização do Real, que aumentam custos ao mesmo tempo que favorece as exportações. Com este cenário e estoques reduzidos em relação a outros anos, produtores de arroz ainda aproveitaram para abater parte do prejuízo de safras anteriores reajustando os preços na lavoura. O desafio agora é saber se tudo para por aí ou se haverá novos aumentos.

O que os gaúchos observaram nas últimas semanas, segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada do Iepe, Everson Vieira dos Santos, foi uma inflação de 0,49%, lembrando que cerca de 1/3 corresponde às despesas com alimentação. Este grupo desdobra-se em custos de comer fora e dentro de casa. Sobre este último, o economista informa que houve uma inflação de 7,41% em 2020. E dentro deste subgrupo, os itens pertencentes aos produtos in natura foram os que tiveram maior elevação e acumulam alta de 11%. Em seguida vêm os industrializados e os semi-elaborados, como pratos congelados, com 6,8% e 5,88% respectivamente. São 325 produtos que compõem o índice. Mas o arroz teve o reajuste mais facilmente percebido pelos consumidores. De acordo com Santos, em 2019 o cereal permaneceu estável, com uma alta de 0,13% contra os 12,82% registrados nos oito primeiros meses de 2020. Entretanto, quem pensa que o arroz é o campeão nesta disparada, o leite UHT, o de caixinha, acumula alta de 19,04%, e o feijão, que subiu mais 3,33% no mês passado, já está 27,83% mais caro que no começo deste ano. O preço do arroz, constatado pelo Iepe por R$ 6,57, em alguns supermercados, um quilo pode ser encontrado, agora em setembro, por algo entre R$ 6,85 e R$ 7,49. Contudo, a diferença de percepção entre a dupla que forma o prato do brasileiro, se deve ao momento em que aconteceram os aumentos. Enquanto o feijão vem apresentando aumentos mais distribuídos ao longo do ano, o arroz vem subindo de forma mais rápida desde julho. A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) ainda acrescenta o óleo de soja a esta lista.

“A dança dos preços vem dos combustíveis, da gasolina. Quando começou a pandemia (de Covid-19) teve uma redução forte. O consumo diminuiu bastante. Entre janeiro e maio, reduziu 21%, chegando a custar R$ 3,71 em maio, mas de junho para agosto subiu 12% e ainda tem mais espaço para recuperação do preço que era. O óleo diesel baixou 18% e subiu um pouco. E o gás de cozinha, idem, aumentando entre maio e agosto, 9,64%”, informa o economista do Iepe. Entretanto, o preço dos combustíveis, que já estão há muitos meses em um patamar elevado, parece já ter sido incorporado ao dia a dia dos gaúchos, que como se estivessem anestesiados, parecem nem sentir mais o peso no bolso. Mas a dos alimentos surpreendeu famílias em um momento em que muitas pessoas que perderam o emprego, tiveram jornadas de trabalho e salários reduzidos tiveram que empreender para sobreviver. No bairro Humaitá, em Porto Alegre, vive a Gabriela Pereira Pedroso, 34 anos. Secretária trilingue com pós-graduação em gestão de negócios, deixou o último emprego para engravidar. O ano era para marcar sua volta ao trabalho, mas por ser mulher com um bebê, encontrar um emprego se tornou um desafio. Com a Covid-19, o marido, que comercializa passagens aéreas, teve a jornada de trabalho e a remuneração reduzidas em 70%. Para complementar a renda, restou fabricar e vender pães, bolos, cucas, pizzas e sobremesas, que já tiveram os custos repassados após as remarcações de preços. “Fizemos a primeira atualização do preço dos produtos em julho. E agora (segunda semana de setembro) fizemos um novo folder”, conta Gabriela. “Farinha de trigo, leite, óleo de soja e o azeite de oliva: é impressionante como subiram”, se queixa.

A situação que atrapalha a microempreendedora é a mesma que agrava a situação do setor de gastronomia. “Imagina que já estamos amargando um prejuízo enorme há seis meses e quando começa a flexibilizar, os preços da matéria prima começam subir. Mas me cabe dizer que este aumento é mais uma camada de tijolos para nos enterrar. Não são aumentos de 2% ou 3%. São aumentos significativos”, classifica o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha), Henry Chmelnitsky. O empresário explica que com os recentes reajustes, a margem bruta dos bares e restaurantes acaba sendo afetada e o espaço de manobra para resolver o problema é mínimo. “Não sei dizer qual é a saída, como mexer no cardápio. Não sabemos se têm espaço para repassar aumentos assim. Vai repassar para quem? Os restaurantes vão sofrer muito. A situação é ruim, economia não está crescendo”, reclama o presidente do Sindha.

A assistente social Katia Vieira Siqueira, 53 anos, mora com a mãe de 85 anos, no bairro Navegantes, também na Capital. As únicas rendas são uma pensão e rendimentos de economias realizadas. Ela diz que “aumentou horrores” o preço dos alimentos. “Na semana anterior estive em Camaquã, que produz bastante arroz, e estava mais caro que em Porto Alegre. Mas subiu muito o azeite, o leite também”, observa. Então, como fazer o dinheiro na mão, render? Para Katia, é aproveitando os folhetos de promoções dos mercados e ir onde é mais barato, mesmo nos pequenos. “Até nos mercados de bairro se acha alguma coisa em conta”, relata a assistente social. Já Gabriela tem recorrido aos atacados e ao Ceasa para comprar os ingredientes por um valor mais em conta. A diretora executiva do Procon-RS, Cristiane Marconato, diz que o órgão, responsável pela fiscalização dos direitos do consumidor, não faz pesquisa de preços, mas sugere uma ferramenta desenvolvida pelo próprio Governo do Estado que pode auxiliar na busca por ofertas. “Não temos uma pesquisa de preço. Mas temos o Menor Preço Nota Gaúcha. É alimentado automaticamente pelas informações das notas fiscais”, recomenda. O aplicativo está disponível para download nos smartphones Android e iPhone.


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Em uma ação conjunta dos Procons estaduais e municipais, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, acabou notificando supermercados e empresas a justificar a alta no preço dos alimentos. “Tem que avaliar toda cadeia, do produtor ao supermercado. A gente não tem como dizer que o aumento de um item da cesta básica é abusivo ou não. Nós provocamos, por iniciativa dos Procons municipais e estaduais, o Senacon, num efeito contrário ao cascata, e levamos o assunto para cima. Para que compilassem essas denúncias de aumento e identificassem os níveis na cadeia produtiva, sobre o que desencadeou isso”, detalha Cristiane. Numa das pontas desta cadeia que vai da produção à venda dos produtos, os supermercadistas se dizem pressionados. “Os clientes estão reclamando bastante do preço do óleo de soja, do arroz, do queijo. Faz cerca de um mês que começou a subir. Surpreendeu a gente”, revela o empresário José Maccari, sócio-proprietário de um supermercado na Avenida Professor Oscar Pereira, bairro Glória, em Porto Alegre. Para não afastar a clientela, o estabelecimento chega a vender abaixo do custo. “Hoje paguei R$ 6,05 pelo quilo de arroz e estou vendendo a R$ 5,49. Caiu muito a venda. É um mal momento”, completa. Na loja, o pacote de 5 quilos de uma marca de arroz, que era comercializado por 15 reais, passou a ser vendido 19 reais.

As entidades que representam os supermercadistas afirmam que tem sido feito o que está ao alcance do segmento. “Os supermercados gaúchos destacam que não estão medindo esforços para buscar a melhor negociação com os fornecedores e absorver, na medida do possível, parte desta alta de preços”, defende o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo. Para ele, “a curva de preços não é ditada pela ausência ou presença de patriotismo, mas pela oscilação natural do mercado a partir de questões cambiais, de mudanças mercadológicas e da lei da oferta e da procura”, rebate, ao lembrar de fala do presidente Jair Bolsonaro. No dia 4, durante encontro com apoiadores em Eldorado Paulista, interior do estado de São Paulo, o presidente pediu “sacrifício e patriotismo” ao setor para baixar os preços. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) vê a conjuntura com muita preocupação, por se tratar de produtos da cesta básica da população brasileira. Por meio de uma nota, a entidade afirma que os associados têm “se esforçado para manter os preços normalizados e vem garantindo o abastecimento regular desde o início da pandemia nas 90
mil lojas de todo o país”. A associação ainda afirma que tem dialogado com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e representantes de todos os elos da cadeia de abastecimento. “Apoiamos o sistema econômico baseado na livre iniciativa, e somos contra às práticas abusivas de preço, que impactam negativamente no controle de volume de compras, na inflação, e geram tensões negociais e de ordem pública”, reiteraram. A Abras ainda afirma que comunicou a situação de Senacon com o intuito de obter uma solução junto à cadeia produtiva. “E continuará buscando oferecer aos consumidores, opções de substituição dos produtos mais impactados por esses aumentos”, concluíram.

ARROZ: SALGADO DESDE A LAVOURA

O que os supermercadistas veem como uma prática abusiva de preços, os produtores de arroz, por exemplo, enxergam a correção como uma questão de justiça. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), a saca de 50 quilos do arroz tipo 1 está sem sua maior cotação, conforme a série histórica iniciada em 2005, quando o produto custava R$ 20,41. Em janeiro deste ano, o ano produto era comercializado a R$ 48,05 e chegou aos R$ 104,29 no dia 16. É uma valorização de 117% em relação ao primeiro mês de 2020. O mesmo fenômeno é observado no valor de referência do leite no Rio Grande do Sul atingiu R$ 1,5082 no mês de agosto, 3,83% acima do consolidado de julho, que custava R$ 1,4526. O valor segue tendência nacional de alta e é o mais elevado da série histórica do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS). O queijo mussarela destacou-se com recuperação de preço, principalmente, em função de mudanças nos hábitos de consumo. “O mercado está aquecido. Nos últimos 14 anos, nunca atingimos esse valor, o que é compreensível no momento atual. A dúvida agora é se essa valorização terá seguimento ao longo do ano”, pontuou o professor da Universidade de Passo Fundo e responsável pelo levantamento do Conseleite, Marco Antonio Montoya.


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O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz elenca alguns motivos para os produtos, como o arroz e o leite, terem atingido alta recorde. “O primeiro deles é a menor produção. Produtores de arroz passaram anos tendo prejuízo e foram três anos consecutivo reduzindo a área plantada. No caso do leite, nos anos de 2015 e 2016, houve um aumento de oferta, mas a demanda caiu a níveis de dez anos atrás”, aponta. Luz ainda entende que a pandemia deixou mais pessoas em casa, que passaram a se alimentar melhor e a consumir mais alimentos. “O auxílio emergencial colaborou nisso”, completa o economista. O diretor executivo do Sindicato da Indústria do Arroz no Estado do Rio Grande do Sul (Sindarroz-RS), Tiago Barata, acrescenta que o Brasil vem aumentando sua participação no mercado internacional do produto. “A expectativa de participação no mercado internacional, já nos dava expectativa de termos preços firmes ao longo do ano. Esta expectativa ganhou força com a valorização do dólar em relação ao real. Isso aumentou nossa posição competitiva ao mercado externo. Então as exportações aumentaram, e devido a este dólar valorizado, as importações passaram a ser inviabilizadas economicamente”, explica. O Rio Grande do Sul corresponde a 70% da produção do Brasil, que exporta arroz para 109 países. Na lista dos dez maiores compradores, há a Venezuela, que adquiriu 20% do que foi exportado, mas no ranking também constam países como Peru (11%), Cuba (7%) e Estados Unidos (4%). Justamente por causa do câmbio favorável, 108% do que foi exportado de arroz em 2019 já foi embarcado até o começo deste mês de setembro, com o envio de 1.153.494,159 toneladas contra 1.062.478,54 toneladas de todo os 12 meses do ano passado, segundo dados do sistema Agrostat do Mapa.

Barata confirma que a produção de arroz é de custo elevado. “Por muitos anos ela foi inviável para os produtores. Tanto é que o setor de arroz é taxado pelo endividamento. Por exemplo, o custo de produção de 1 hectare é de 10 mil reais, o dobro da mesma área para soja”, compara. Diante destes desafios, o diretor do Sindarroz afirma que uma parcela importante do setor deixou a atividade. “Ficaram aqueles produtores que têm maior capacidade de gestão, mais capitalizados, com maior capacidade de escala, índices elevados de produtividade e com capacidade de gerir a oferta do produto”, frisa. Ainda assim, no ano passado, apesar da redução de área, houve um pequeno aumento de safra em relação a 2018, que foi um ano de baixa produção. “Este aumento se deve à maior produtividade, favorecida pelo clima e a este perfil de produtor que permaneceu na atividade”, garante Barata. Emerson Giacomelli, da direção da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), que trabalha com arroz orgânico, produzido por  364 famílias, de 14 assentamentos situados em 11 municípios gaúchos, vê a alta do arroz como especulativa. “A maioria dos produtores venderam arroz de 45 a 60 reais durante a colheita. Mas onde agora está este arroz? Na indústria e em algumas propriedades, onde o produtor tem capital de giro e capacidade de armazenamento e acaba sendo beneficiado pelo aumento”, acusa. “Também temos que olhar que teve uma irresponsabilidade do governo e o Brasil exportou muito arroz em casca e não se preocupou com o mercado interno. Ainda acreditamos que se deve ter uma política regulatória para os produtos da cesta básica. Mas o governo não intervém porque não tem estoque”, avalia Giacomelli. Entendimento que é compartilhado pelo economista-chefe da Farsul, que assegura que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estatal pertencente ao Governo Federal, seria a responsável por ter estoques com capacidade suficiente para regular o mercado interno, evitando uma oferta escassa diante de uma demanda crescente pelo cereal. “Quem tem que dar explicação sobre abastecimento é a Conab. Ela custa R$ 2,4 bilhões por ano por existir. São 4 mil funcionários, R$ 9 mil por por garçom. O que sei, é que eles montam um quadro de oferta e procura. Se as projeções estivessem corretas, não precisaria tirar a TEC (Taxa Externa Comum, cobrada nas importações). A menos que os dados da Conab estejam errados”, interroga Luz. A Conab foi procurada para explicar sobre sua atuação, mas não retornou os contatos feitos até o fechamento desta reportagem.

Para enfrentar a alta no preço do arroz, foi publicado no Diário Oficial da União, no dia 11, a portaria que estabelece os critérios para a cota de importação de arroz, com isenção da TEC. Cada empresa terá, inicialmente, cota máxima de 34 mil toneladas do produto. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) liberou o total de 400 mil toneladas, com o imposto de importação zerado para arroz não parboilizado, polido ou brunido até o dia 31 de dezembro. Em relação ao leite, o presidente do Conseleite, Rodrigo Rizzo, acredita que o cenário é de valorização do leite e de reconhecimento do trabalho no campo, uma vez que o produtor também vem recebendo mais por litro. Mas reforça que, com o aumento do preço do leite, acende-se uma luz amarela em relação à retomada da atratividade das importações. Apesar da valorização cambial, as aquisições externas voltam a ser uma opção de oferta, o que já se verifica nos números da balança comercial de lácteos nos meses de julho e agosto. “É algo que deixa o setor em alerta”, ponderou o presidente. Contudo, Luz se mostra cético com uma solução tão simples. “De imediato não tem solução. Não é que nem indústria, que aperta um botão e sai pronto. Acho muito difícil. Não tem de onde vir este produto (arroz). Existe uma restrição de oferta no mundo todo. Terá efeito limitado”, fundamenta.

HORIZONTE DE PREÇOS


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O representante da Farsul aponta que governo erra quando os produtores produzem com preço abaixo do custo. “Na verdade, nós fomos um pego de surpresa. Não era normal, nem sustentável, a cadeia vender 5 quilos de arroz a 7, 8 ou 9 reais”, defende Giacomelli. Ainda assim, a cooperativa manteve a política de preços, sem reajuste agressivo, apenas mantendo as oscilações decorrentes dos custos. “Hoje o nosso preço de arroz orgânico se equipara ao convencional. Resolvemos manter os preços, com os mesmos critérios de composição de preço – como margem de lucro. Também não houve um aumento de outras coisas, como embalagens”, destaca o gestor da Cootap. Mas apesar da escalada na cotação do arroz, Luz acredita em um cenário futuro de estabilidade. “Até porque as coisas bateram no teto”, garante o economista. Barata, do Sindarroz, também entende da mesma forma. “A remoção da TEC vem como uma alternativa para estabelecer um teto para os preços, um teto mais baixo. Mas não creio que vá reduzir preços. Vão seguir num platô elevado”, prevê.

Barata também vê risco com os preços mais elevados do cereal. “Estes preços se tornam sedutores àqueles que saíram do mercado. Também mascaram os problemas, com produtores ampliando a área de plantio da próxima safra, mas com os preços podendo cair novamente”, argumenta. Na cooperativa de Giacomelli, o plantio já começou. A expectativa é de ampliar em 15% a 20% a próxima safra. “Esta condição cria uma expectativa para fazermos alguns investimentos”, defende. Por outro lado, também pode haver uma redução ainda mais drástica desta cultura nos próximo anos. “A situação do arroz exige atenção. A área plantada segue encolhendo devido à falta de estímulo dos produtores, que viram os custos aumentarem acima dos preços, elevando assim o endividamento. Os estoques em baixa, podem levar no futuro a refletir em aumento de preço”, alerta Luz. De imediato, os consumidores precisam mesmo é apenas se preocupar com o preço. Tanto a Farsul quanto a Federação dos Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) afirmam, em nota, não haver risco de desabastecimento e se comprometem a manter a constante oferta de arroz, o equilíbrio do mercado, bem como a segurança alimentar dos brasileiros.

Correio do Povo