Saúde
OMS recomenda que se fale a respeito. Foto: Reprodução

Toda profissão tem seus tabus. No jornalismo, um dos tabus é a divulgação de notícias de suicídio. Existe, entre os profissionais da área, uma crença de que a divulgação de casos de suicídio serviria como estímulo para que pessoas que estão em depressão façam o mesmo, tirando a própria vida. Com base nessa ideia é que somente são noticiados os suicídios de pessoas famosas.

Porém, diferentemente da prática adotada pela imprensa brasileira hoje, a OMS não é a favor de que se deixe de noticiar os casos de pessoas que tiram a própria vida. A OMS entende que suicídio é um problema de saúde pública. Por isso, defende que o assunto seja noticiado, porém, com base em determinados princípios.

A OMS defende, por exemplo, referir-se ao fato como “suicídio consumado”, não como suicídio “bem sucedido”. Defende, também, que sejam apresentados somente dados relevantes e, nos jornais, que seja noticiado apenas nas páginas internas. No manual, a OMS recomenda que qualquer problema de saúde mental que a pessoa tiver seja trazido à tona e também que se evite exageros, como mostrar a cena do suicídio e o método utilizado.

Conforme o site Nações Unidas Brasil, jornalistas da América Latina estão redefinindo a forma de comunicar suicídios. Por muitos anos, casos de pessoas que tiram a própria vida foram abordados pela mídia como “um espetáculo” ou simplesmente deixaram de ser noticiados por medo de gerar o efeito “contágio”.

No entanto, uma cobertura jornalística responsável pode contribuir para a prevenção do suicídio, reduzindo o risco de um comportamento imitador, ajudando a modificar falsas percepções e incentivando as pessoas a procurarem ajuda, disse Claudina Cayetano, consultora regional de saúde mental da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o documento “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia”, em 2000, muitos jornalistas e profissionais da mídia mudaram sua maneira de relatar o assunto.

“Notamos mudanças na maneira como os jornalistas comunicam sobre suicídio, que já não é tratado com espetacularização ou como um ato heroico de amor, como Romeu e Julieta, mas como um fato da vida com causas complexas que podem ser evitadas”, explicou Claudina.

Nas Américas, há mais de 81 mil mortes por suicídio a cada ano. Os principais métodos incluem asfixia (44%), armas de fogo (31%), envenenamento por álcool e drogas (9%) e envenenamento por pesticidas e outros produtos químicos (7%).