Polícia
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A Polícia Civil voltou a agir rapidamente após denúncia de um grave crime de violência sexual. Na semana passada, um pai foi preso por estuprar a própria filha por longos cinco anos. A vítima, conforme relatado aos agentes, foi abusada dos 10 aos 15 anos. O caso veio à tona através de denúncia da adolescente, que procurou a polícia acompanhada da mãe no dia 26 de novembro.

A equipe da Polícia Civil, coordenada pelo delegado Fernando Branco, abriu inquérito e priorizou a investigação, que seguiu na busca por provas, materialidade e prisão do acusado de 38 anos em um período de 20 dias. “A atuação da polícia se deu tão logo fomos procurados pela vítima e sua genitora relatando os abusos. Passamos a coletar depoimentos e provas, culminando com a confissão do suspeito em seu interrogatório”, ressaltou o delegado Branco.

Após a decretação da prisão preventiva pela Comarca de Sapiranga, que atende Nova Hartz, o homem chegou a ficar foragido por mais de 10 dias. “Fizemos buscas na tentativa de localizá-lo, inclusive, fora do município”, comenta o investigador. Na quarta-feira, dia 9, o acusado se entregou na DP de Nova Hartz na presença do seu advogado. Na sequência, foi conduzido para a Delegacia de Pronto Atendimento de Novo Hamburgo e, logo após, a um presídio.

Elas pediram ajuda: pai fugiu

A menor e mãe procuraram a polícia e o acusado sumiu de casa. Ele pegou o carro de uma pessoa do trabalho e foi para Arroio do Sal, onde acabou sendo abordado pela Brigada Militar e levado à delegacia. Para surpresa dos agentes, confessou ter estuprado a filha. “Ele detalhou algumas situações. Chegou a dizer que sabia que havia cometido um crime e deveria pagar por isso”. A ida para o litoral tinha como objetivo o suicídio. “Ele foi até a empresa e tentou localizar uma arma que havia escondido, mas não encontrou. Depois, fomos até o local e, em buscas, conseguimos localizá-la”, revelou a Polícia Civil. No dia em que confessou o crime, o homem precisou ser liberado, pois não havia mandado de prisão expedido. “Depois disso, ele sumiu. Seguimos o inquérito, foi expedido o mandado e fizemos buscas para localizá-lo. Então, na semana passada, ela acabou se entregando”. Ele foi indiciado por estupro de vulnerável, apropriação indébita e posse de arma com numeração raspada.

Abusos de três a quatro vezes  por semana e pai ameaçava suicídio se fosse denunciado

A oitiva da vítima trouxe relatos chocantes. Ainda na infância, com apenas 10 anos, começou a ser abusada pelo pai dentro de casa. De início, não fazia ideia do que estava lhe acontecendo. O pai usava de momentos distantes da esposa para abusar da filha. Com o passar do tempo, os estupros se tornaram mais constantes, chegando a acontecer de três a quatro vezes por semana. “Quando a filha passou a ficar mais velha e tomando ciência do que estava acontecendo, ele passou a lhe fazer pressão psicológica. Ameaçava se matar caso a filha denunciasse o que ele fazia. Com medo e sentindo culpa, ela se mantinha em silêncio”, conta o Policial Civil. No mês de novembro deste ano, após conversa com um conhecido, a adolescente tomou coragem e decidiu denunciar a situação para a família.

Denúncia tem ajudado a colocar estupradores atrás das grades

Os crimes sexuais, principalmente contra menores de idade, têm preocupado os órgãos de segurança pública de Nova Hartz. Ao mesmo tempo que cresce a quantidade de registro, trazendo à tona o crime, que muitas vezes acontece por anos às escuras, também se destaca a importância e força positiva que tem a denúncia. “Talvez pelas pessoas sentirem acolhidas e confiarem no nosso trabalho, elas estão denunciando mais. Elas sabem que vindo até aqui, haverá uma resposta o mais rápido possível. A denúncia tem chegado até nós por diversas formas, seja por médicos e escolas; mas na maioria das vezes, está vindo pela própria família”. No mês de setembro, a Polícia Civil, também através de denúncia, prendeu um homem que estuprou crianças da vizinhança.

Jornal Repercussão