Bichos
Foto: Guia Crissiumal

Há milhares de espécies de peixes e, segundo alguns cientistas, esses animais já existem nas águas do nosso planeta há centenas de milhões de anos. Desde que o homem passou a existir e a dominar a face da Terra, ele sempre teve um grande significado para a maioria das culturas e civilizações que nos precederam. Tendo em vista que a maior parte das aglomerações humanas primitivas se deram perto de rios e mares, o peixe, quase sempre, foi um fator decisivo na vida das pessoas, e serviu, além de uma grande fonte de alimentos, de inspiração para uma infinidade de poesias, mitos e histórias. Só para recordarmos uma delas, muito conhecida de todos nós, contida na Bíblia: Conta-nos o Livro do Profeta Jonas que ele, o Profeta, tentando escapar dos Juízos e das Ordens divinas, teve seu navio naufragado em uma grande tempestade, e , em decorrência, teria sido engolido por um enorme peixe, vindo a ser por ele ‘vomitado’ três dias depois, em uma praia, no local onde o profeta deveria anunciar a mensagem. E assim, se formos buscar ou investigar as lendas, histórias, poesias e contos, praticamente todos os povos e culturas têm no peixe um animal de grande significação, quase mítico. A história que abaixo segue também tem um grande significado, pelo menos para quem dela faz parte. Querem saber? Vejam que história interessante, pelo menos para a Família Schutz.

Em 1995 o Sr. Benno Schutz e D. Ana Hilda Schutz, depois de terem vivido, como agricultores, por mais de 45 anos na localidade de Navegantes, no interior do município de Crissiumal-RS, bem perto da divisa Brasil – Argentina, mudaram-se para essa cidade, mais precisamente para a rua Cruz Alta, nº 270. Em sua nova morada, o casal, fazendo melhorias no terreno, no qual havia uma baixada bastante molhada ou mais precisamente, pode-se dizer que era um ‘banhado’, aproveitaram as condições do terreno e edificaram um tanque, bastante rústico, de concreto, cujo tamanho era de aproximadamente 8×8 metros, com cerca de 1,40 metros de fundura. Como havia no local uma vertente perene, o tanque logo se encheu e permanecia assim o ano todo. O objetivo era criar algumas carpas da espécie Capim e Húngara, não para comércio, mas sim, como Hobby. Nas imediações do tanque edificado, o casal também tinha espaço para o cultivo de uma linda horta, e os restos de verduras ou capim eram destinados à alimentação das carpas. O resultado foi até bastante satisfatório, e o objetivo proposto foi alcançado, pois chegou a pescar quinze carpas com mais de 12kg cada uma. Até aí, podemos dizer que é uma história corriqueira…

Mas, certo dia, no ano de 1997, na residência do casal, chegou uma menina carregando um balde com água, no qual havia um lindo peixinho, de sua estimação. Logo o animalzinho chamou a atenção pela grande beleza e singularidade: era um peixe branco com manchas de um vermelho muito vivo e intenso. A garotinha pediu para que o seu peixinho fosse colocado no tanque, pois o local onde o peixinho até então vivia deveria ser destruído, porque passaria por reformas. Em função disso, não havia outro lugar para a sobrevivência do peixinho, a não ser naquele tanque construído pelo casal Schutz.

A personagem infantil da história é filha dos crissiumalenses Clodover Mallmann e Elizabete. O nome dessa garotinha é Lussana. O açude onde o peixinho antes ‘morava’ localizava-se onde hoje funciona o Posto Tio Patinhas, que na época passava por uma grande reforma e restruturação, com ampliação do estacionamento, com aterro e calçamento nas imediações.

Quando aquela garota, com o pequeno peixe em um balde, solicitou a permissão, de imediato foi autorizada a soltar o peixinho no tanque, e ele passou a conviver e se alimentar com os demais peixes já existentes, alimentos estes que eram, para as carpas capim, verduras colhidas na própria horta, e as húngaras eram alimentadas com ração especial para esse tipo de peixe.

Acontece que aquele peixinho, que era de estimação, e , supostamente, de uma espécie apropriada para ser criado em aquário, sobreviveu, cresceu e passou ser o ‘Príncipe do tanque’. A sua beleza chamava a atenção, e muitas pessoas que passavam pela rua, paravam para contemplá-lo quando a água do tanque estava mais limpada e transparente. Quando os filhos e outros parentes do casal Schutz chegavam a casa, a visita ao tanque para ver “o peixe” era obrigatória e divertida.

Depois de algum tempo já vivendo no tanque, numa dada ocasião, ao proceder a uma pesca de carpas, o peixinho branco e vermelho, que já não era mais peixinho, e sim um peixão, também caiu na rede. Ele, com muito cuidado, foi pesando, e constatou-se ter, à época, peso de 10kg; logicamente, foi ele devolvido para continuar nadando no tanque. O tempo foi passando, novos peixes carpas eram colocados no tanque para a engorda, e o peixe branco e vermelho, ali continuava. Todos os dias, o Sr. Benno ia trata-lo, e, incrivelmente, passou a existir uma ligação mutuamente correspondida entre o Sr. Benno e o peixe; quando o Sr. Benno pegava a ração e se aproximava do tanque, o peixe dava sinais de vivacidade e parece que demonstrava alegria; inclusive, o peixe atendia à voz do Sr. Schutz, pois quando ele o chamava, o peixe vinha para a superfície da água, numa clara demonstração de confiança. É claro que isso deixava o Sr. Benno alegre e satisfeito, pois o peixe demonstrava gostar dessa relação. O peixe atendia ao seu chamado. E assim vários anos se passaram. O tanque virou a casa do peixe.

Seu Benno Schutz faleceu em dezembro de 2017, mas o peixe ainda nada no tanque. Hoje, com mais de 24 anos de vida, ele é o morador solitário no tanque, e recebe os cuidados especiais da Dona Ana Hilda Schutz, que ainda mora no local; todos os dias, a ração e uma conversa com o peixe traz gratas recordações dos momentos que o Sr. Schuz ali viveu e ‘conviveu’ com o peixe.

Atualmente, medindo em torno de 60 centímetros, e pesando em torno de 12 kg, pode continuar a ser visto da rua, pelos transeuntes da Rua Cruz Alta. De fato, muitas pessoas param para apreciar o seu nado solitário e suave, e sua beleza singular. Mas, para a família Schutz, ele ainda é “O Peixe” que traz recordações agradáveis do Seu Benno, que já se foi.

Agradecemos a família Schutz pelo texto e informações.

Guia Crissiumal