Dois anos após a interdição do templo da Nova Ordem de Lúcifer na Terra (N.O.L.T.) em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o espaço onde foi instalada a estátua de Lúcifer continua sem autorização para funcionar.
O terreno tem cinco hectares de área aberta na zona rural da cidade. Já o monumento que representa Lúcifer tem cinco metros de altura (contando com o pedestal), pesa uma tonelada e custou R$ 35 mil, pagos por integrantes da ordem. Mestre Lukas de Bará da Rua afirma que a estátua deve contar com uma iluminação especial caso seja inaugurada.
A imagem de Lúcifer foi produzida em cimento por um ateliê e, segundo o religioso, retrata a dualidade do homem humano e do esqueleto, com pés e asas, representando o espírito da divindade. Mestre Lukas afirma ter sonhado com a imagem para concebê-la. O projeto contou com o apoio de um engenheiro.
“Para nós é algo sagrado. Eu tenho uma história de 21 anos dentro da religião. A gente tem feito um trabalho de conscientização, para demonstrar a força que a nossa religião tem”, comenta.
Para algumas religiões, como o cristianismo, a figura é associada ao demônio. Por outro lado, para o Mestre Lukas de Bará da Rua, um dos representantes da N.O.L.T, Lúcifer representa o portador da luz. A maioria dos integrantes da ordem segue a linha da quimbanda, mas há adeptos que se dedicam exclusivamente à demonolatria, sem vínculo com essa tradição religiosa.
Apesar de uma decisão judicial ter determinado a reabertura do processo administrativo, a concessão do alvará para funcionamento do templo ainda depende da apresentação de novos documentos exigidos pela prefeitura.
Quem realizar atividades no espaço interditado, situado a cerca de 15 km da área urbana, pode receber multa diária de R$ 50 mil.
Entraves com a prefeitura
A interdição ocorreu em agosto de 2024, quando a inauguração do templo foi impedida por falta de licença. Desde então, o caso se transformou em uma disputa administrativa e judicial entre o grupo religioso e o município.
A batalha pelo funcionamento do templo ocorre em duas frentes. Na Justiça, o mandado de segurança movido pelos representantes do grupo religioso foi remetido ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em junho de 2026.
G1 RS
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