Polícia
Foto de Jefferson de Ramos/Rádio Sarandi

A Polícia Civil detalhou as circunstâncias brutais do feminicídio que vitimou Marlei de Fátima Froelick, de 53 anos, na Linha Jogareta, interior de Novo Barreiro. Em entrevista à rádio Luz e Alegria na manhã desta sexta-feira, 30, a delegada responsável pelo caso, Cristiane Van Riel, afirmou que o crime foi meticulosamente planejado pelo ex-companheiro da vítima, Waldir Abling, de 57 anos, que não aceitava o fim do relacionamento.

Trata-se de um crime marcado pela premeditação e crueldade. Segundo a delegada, a vítima estava no processo de deixar a propriedade rural para buscar abrigo na casa de um dos filhos como medida de segurança. No entanto, foi surpreendida pelo agressor no momento em que saía do local acompanhada do pai e de uma tia.

“Ele surge de emboscada, surge de surpresa de um milharal que tem próximo à estrada. Ela não teve nenhuma chance de esboçar defesa ou, inclusive, tentar fugir do local”, revelou a delegada Cristiane Van Riel.

Tentativa de duplo homicídio e arma apreendida

Arquivo pessoal / Divulgação

A investigação aponta que a fúria de Abling não se restringiu à ex-companheira. De acordo com Van Riel, o autor também efetuou disparos contra o pai de Marlei, Abílio Frolick, que presenciou a execução da filha.

– Ele tentou disparar também contra o pai da Marilei, só não conseguiu acertar por circunstâncias que ainda vamos verificar, como uma possível falha na arma –, explicou.

A arma utilizada no crime foi uma carabina calibre .38, que foi apreendida no local do fato. Após os ataques, o agressor utilizou a mesma arma e uma faca para tentar o suicídio. Ele permanece hospitalizado sob custódia e, caso sobreviva, terá sua oitiva realizada conforme sua evolução médica. “A pena para o feminicídio hoje é elevada, de 20 a 40 anos, e os agressores precisam saber que a Lei Maria da Penha prende”, enfatizou a autoridade policial.

Motivação

Embora a motivação real ainda precise ser esmiuçada no inquérito — que tem prazo de 10 dias para ser concluído —, informações preliminares indicam que o casal estava em processo de separação e partilha de bens. O crime ocorreu apenas um dia após o Tribunal de Justiça conceder uma medida protetiva de urgência em favor de Marlei, que ainda não havia sido notificada ao agressor.

A delegada lamentou o desfecho trágico, ressaltando que Marlei tentava justamente se proteger ao se deslocar para a casa de familiares. “O informe que nos chegou é que ela estaria saindo daquele local para ir para a casa de um dos filhos para se proteger”, comentou Van Riel.

“Em briga de marido e mulher, tem que meter a colher”

A delegada Cristiane Van Riel fez uma reflexão sobre a cultura de violência doméstica no Brasil e a necessidade de um “trabalho de formiguinha” que comece nas escolas para quebrar o ciclo de submissão. Ela reforçou que a comunidade deve ser ativa na proteção das mulheres.

“Se cada um fizer a sua parte… o que a gente sempre diz: em briga de marido e mulher, tem que meter a colher, sim. Precisamos proteger as mulheres quando percebemos que estão em situação de vulnerabilidade”, defendeu a delegada.

Canais de Denúncia:

A Polícia Civil reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos seguintes canais:

  • Brigada Militar – 190
  • Polícia Civil – 197
  • Delegacia Online
  • Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
  • Defensoria Pública – Disque 0800-644-555

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