Polícia
Fraude passa de 2 milhões de reais, segundo a polícia. Foto: Arquivo: TP News

Um dos ex-administradores do Hospital de Caridade, Amarildo José Dall’Ago, que desde o ano de 2012 responde a uma ação civil pública por improbidade administrativa na Comarca de Três Passos, é suspeito de participar em uma empresa envolvida em uma fraude na Secretaria Municipal de Saúde de Estância Velha. Pelo suposto esquema fraudulento, a empresa contratada cobrava por exames que não eram realizados ou informava número maior de procedimentos.

Na mira da polícia, está um contrato milionário firmado entre a secretaria e a empresa Previne, que realiza exames de imagens para o município. De acordo com a investigação da Polícia Civil, há indícios de irregularidades em mais de R$ 2 milhões já recebidos pela empresa.

A Operação Anamnese, deflagrada no dia 14 de maio, coordenada pela Delegacia de Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária (Deat) da Polícia Civil, cumpriu dez mandados de busca e apreensão e outros oito de prisão temporária na secretária de Saúde e na prefeitura de Estância Velha e também em endereços nas cidades de Novo Hamburgo, Dois Irmãos e Mostardas.

Segundo a Polícia, são investigados servidores públicos, entre eles, a ex-secretária da Saúde Ana Paula Gularte Macedo, o secretário da Saúde licenciado, Mauri Martinelli, e a secretária da Saúde interina, Eloise Gernhardt, além de empresários. Contra Eloise havia um mandado de prisão temporária que já foi cumprido. Outras três pessoas também haviam sido presas e, assim como a secretária, já estão em liberdade.

De acordo com a investigação, a empresa Previne foi comprada recentemente e a atual gestão não teria envolvimento com o esquema. A fraude teria sido executada durante a administração do empresário anterior.

Além da fraude em Três Passos, Amarildo é denunciado em outro caso que deixou pacientes cegos em Encantado. Nesta semana, a polícia descobriu o nome do empresário em um grupo de WhatsApp da empresa envolvida no esquema. A informação foi publicada pelo jornal O Diário na última quarta-feira, 29. Amarildo, porém, nega sua participação com a Previne Saúde, mas que conhece as pessoas que estão por trás da empresa.

Relembre o caso do Hospital de Caridade a partir de informações do Ministério Público

Em 2012, a Promotoria de Justiça de Três Passos ingressou na Justiça com ação cautelar com pedido de indisponibilidade de bens dos administradores do Hospital de Caridade da cidade. A ação, recebida pela 2ª Vara Cível da Comarca, era preparatória ao ajuizamento de ação civil pública por improbidade administrativa contra Armindo Leonhardt e Amarildo José Dall’Ago.

Conforme as investigações realizadas pela Promotora de Justiça, foram encontrados indícios de superfaturamento e desvio dos pagamentos de serviços de assessoria administrativa, prestada pela empresa Dall’Ago Assessoria, de propriedade de Amarildo José Dall’Ago. Além disso, teria ocorrido superfaturamento na compra de materiais de limpeza, além de serviços de higienização e lavanderia, prestados pela empresa Topclean.

Outra fraude seria a simulação de compra de macas e serviços de informática com o uso de notas fiscais “frias”, além do pagamento indevido de alta multa rescisória em contrato de prestação de serviços de psicologia. As apurações apontam, também, para a existência de um “caixa 2” e superfaturamento na indenização de viagens.

O inquérito civil instaurado pelo MP indicou que os réus criaram a empresa Dall Ago Consultoria justamente para contratar com o hospital, com o superfaturamento de preços. Ela foi substituída por outra empresa, a Topclean Produtos de Higiene e Limpeza Ltda, cuja propriedade é de um terceiro envolvido na fraude. A troca manteria o envio de dinheiro desviado do Hospital para os dois demandados. O valor total de prejuízos ao erário seria de R$ 807.933,36 na época.

O processo ainda não foi julgado nem os supostos valores desviados ainda ressarcidos.