Polícia
Foto: Reprodução Redes sociais

Uma turista do Rio Grande do Sul, presa por suspeita de injúria racial contra uma mulher negra em Salvador, exigiu ser atendida por um delegado branco na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

O que aconteceu

Giselle Madrid Spencer Cezar, 50, foi presa ontem. Ela participava de um evento no Pelourinho, um dos principais pontos turísticos de Salvador, quando teria agido de forma discriminatória com uma mulher que trabalhava no local, segundo a Polícia Civil.

Vítima trabalhava no bar do evento. Em depoimento, ela relatou ter sido alvo de ofensas racistas ao ser chamada de “lixo” por Giselle, que também teria cuspido nela.

“Eu sou branca”, teria dito a suspeita à vítima várias vezes. Giselle também falou que aquele ambiente no Pelourinho “não era para ela”, ainda segundo o relato da mulher.

A Polícia Militar foi acionada e encaminhou a suspeita à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa de Salvador. No local, a mulher exigiu ser atendida por um delegado de pele branca, não algum delegado negro, segundo a Polícia Civil.

Ao ser conduzida por policiais militares à unidade especializada, a investigada continuou a adotar conduta discriminatória, solicitando atendimento exclusivo por um delegado de pele branca.Polícia Civil da Bahia, em nota ao UOL

Giselle foi ouvida e segue presa, à disposição do Poder Judiciário. O UOL entrou em contato com o Tribunal de Justiça da Bahia para questionar se ela já passou por audiência de custódia e se tem advogado constituído, mas não obteve retorno. O espaço para a defesa segue aberto para manifestação.

Natural do Rio Grande do Sul, Giselle estava de férias em Salvador. Em seu perfil no Instagram, a gaúcha postou vários registros na capital baiana.

Racismo x injúria racial

A Lei de Racismo, de 1989, engloba “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.

O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.

Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça.

Saiba como denunciar

Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online.

Caso seja um flagrante, ligue para o 190. Por telefone você também pode ligar no Disque 100 ou no Disque Denúncia da sua cidade.

UOL

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