Um golpe aplicado por aplicativo de mensagens causou prejuízo de quase R$ 800 mil a um morador de Restinga Sêca, na Região Central do Rio Grande do Sul, nesta semana. A fraude, segundo a Polícia Civil, seguiu um padrão cada vez mais comum: começa com uma mensagem convincente, simula uma situação de emergência bancária e, em poucos minutos, leva a vítima a fornecer acesso indireto à conta.
De acordo com o registro policial, o homem recebeu uma mensagem que aparentava ser do Banco do Brasil, informando que a senha da conta teria sido bloqueada devido a um suposto acesso indevido e a uma transferência via Pix de R$ 32 mil. Ao negar a operação, a vítima foi induzida a seguir um “procedimento de segurança” que acabou facilitando o crime.
O passo decisivo foi a orientação para que o morador compartilhasse a tela do celular durante o atendimento. Com essa ação, os criminosos conseguiram realizar sete transferências para destinatários diferentes, somando um rombo de quase R$ 800 mil.
A Polícia Civil investiga o caso.
Golpe se apoia em dados prévios e pressão psicológica
Segundo o delegado regional Sandro Meinerz, fraudes desse tipo têm se tornado mais sofisticadas justamente por utilizarem informações reais sobre as vítimas, o que aumenta a credibilidade do contato e reduz o tempo de reação.
“Eles sabem em que banco a pessoa tem conta e, muitas vezes, conhecem a capacidade econômica. Essas informações costumam ser obtidas em fontes abertas, como redes sociais”, afirmou o delegado.
A estratégia é baseada em três pilares: urgência, autoridade e verossimilhança. O criminoso simula uma tentativa de fraude (como uma transferência que a vítima não reconhece) para provocar medo e acelerar decisões impulsivas — evitando que a pessoa pare para confirmar se o contato é verdadeiro.
Região Central teve 2.760 casos de estelionato em 2025
A Polícia Civil aponta que, apenas na Região Central do RS, foram registrados 2.760 casos de estelionato em 2025. A maior parte envolve crimes praticados sem violência física, mas com prejuízos que podem comprometer anos de economia.
O impacto, porém, é estadual.
Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública mostram que os crimes de estelionato dispararam após a pandemia e atingiram pico em 2022, quando o RS registrou 95.182 ocorrências, o maior número da série histórica.
Mesmo com queda gradual nos anos seguintes, os indicadores continuam elevados:
- 2020: 67.732
- 2021: 92.067
- 2022: 95.182
- 2023: 89.369
- 2024: 80.526
- 2025: 75.392
Para a polícia, embora os números tenham recuado, o golpe atual é mais perigoso porque está mais convincente.
“Falso advogado” também é comum e já fez vítimas com prejuízo de R$ 100 mil
Além do golpe do falso banco, outro crime em alta é o golpe do falso advogado. A assistente financeira Marilise Alves Gomes relata que um familiar foi vítima de uma abordagem semelhante: recebeu contato com informações detalhadas e acabou fornecendo dados sensíveis.
“Ele passou dados por telefone, coisas que não se faz. O prejuízo foi em torno de R$ 100 mil”, afirmou.
Nesses casos, os criminosos costumam utilizar nomes reais de processos, números verdadeiros, linguagem jurídica e perfis falsos com foto e OAB forjada — tudo para induzir a vítima a confiar.
Alvos preferenciais: idosos e pessoas com pouca familiaridade tecnológica
A Polícia Civil reforça que os principais alvos são idosos e pessoas com pouco domínio de tecnologia, justamente por terem mais dificuldade de identificar páginas falsas, ligações disfarçadas e técnicas como compartilhamento remoto.
“O modus operandi é o mesmo. Tudo começa com uma mensagem de WhatsApp ou uma ligação de supostas instituições financeiras”, destacou Meinerz.
Como se proteger: polícia e bancos orientam medidas simples
As autoridades reforçam que nenhuma instituição financeira solicita procedimentos como compartilhamento de tela, envio de códigos ou confirmação de dados por mensagem.
A recomendação é:
- desligar a ligação
- não clicar em links recebidos
- entrar em contato apenas pelos canais oficiais do banco (app, site ou número no cartão)
- nunca realizar transferências por orientação de terceiros
Em caso de suspeita ou golpe confirmado, a orientação é registrar a ocorrência, inclusive pela internet, no site: delegaciaonline.rs.gov.br.
Banco do Brasil: “não pedimos senhas nem transferências”
Em nota, o Banco do Brasil afirmou que não liga solicitando senhas, dados pessoais ou transferências. A instituição orienta seus clientes a desconfiar de qualquer solicitação de dinheiro, verificar dados do destinatário antes de concluir transações e evitar links suspeitos.
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