Em 2024, quando as enchentes castigaram o Rio Grande do Sul, André Luis Stein mobilizou dezenas de caminhões carregados de doações e foi pessoalmente, mais de uma vez, levar a ajuda ao estado vizinho. Ele não imaginava que, dois anos depois, o mesmo Rio Grande do Sul seria o destino da sua última viagem. O vendedor de colchões e caminhoneiro de Tijucas foi atraído até Cruz Alta por uma falsa negociação e morto em um latrocínio, e a investigação acaba de revelar que o mentor de tudo comandava o crime de dentro de uma cela.
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Cruz Alta formalizou a prisão do investigado, de 24 anos, apontado como o cabeça da emboscada. Ele já estava recolhido no Presídio Estadual da cidade por envolvimento em um homicídio ocorrido em 2021, e foi de lá, segundo a Polícia Civil, que teria planejado e ordenado o assassinato de André.
Com apoio do Grupo de Intervenção da Polícia Penal, os policiais civis cumpriram um mandado de busca dentro da unidade prisional e apreenderam um aparelho celular que, conforme a apuração, teria sido usado pelo suspeito na articulação do crime. O equipamento será submetido à perícia e pode reforçar as provas já reunidas no inquérito.
A emboscada
Segundo a Polícia Civil, André foi atraído até Cruz Alta por meio de uma negociação comercial que era, na verdade, uma armadilha. Ao chegar ao município, foi surpreendido pelos criminosos, baleado e morto. A motivação do grupo era roubar a vítima, o que caracteriza o latrocínio, o roubo seguido de morte.Leia também
As investigações levaram à Operação Tijucas, deflagrada em 18 de junho, quando quatro suspeitos foram alcançados. Dois adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos por participação no crime. Com o avanço da apuração, a Justiça decretou a prisão preventiva do homem de 24 anos também pelo latrocínio, formalizando sua responsabilização em um novo processo, além daquele em que já respondia por homicídio.
Uma perda que abalou a cidade
A morte de André Luis Stein provocou grande comoção em Tijucas e em toda a região. Pessoa muito querida pela comunidade, ele era conhecido tanto pelo trabalho como vendedor de colchões da Di Mary quanto pela presença marcante nas redes sociais, onde acumulava seguidores que acompanhavam sua rotina de estrada. A notícia se espalhou rápido e mobilizou familiares, amigos, clientes e vizinhos em manifestações de pesar.
Ele foi encontrado morto na manhã de 30 de maio, em uma estrada do interior gaúcho, entre Boa Vista do Cadeado e Cruz Alta, sob o caminhão baú que conduzia. A ocorrência chegou a ser tratada como um possível acidente, mas os levantamentos periciais identificaram um ferimento provocado por disparo de arma de fogo, o que levou a investigação a confirmar a hipótese de latrocínio. Horas antes de morrer, André havia publicado um vídeo durante a viagem, desejando um sábado abençoado aos seguidores e demonstrando entusiasmo com mais um dia de trabalho.
Casado e pai de um filho, André tinha 36 anos. O corpo foi trasladado do Rio Grande do Sul para Tijucas, onde foi velado na Capela Mortuária da Funerária São José, no Centro. O sepultamento ocorreu na tarde de 31 de maio, no Cemitério Municipal do Porto da Itinga, reunindo uma multidão que prestou as últimas homenagens
A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento para a conclusão das investigações e o esclarecimento de todos os elementos relacionados ao caso.
Jornal Razão
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