A Justiça tornou rés por homicídio culposo – quando não há intenção de matar – três profissionais investigadas em um caso de superdosagem de medicamento em um paciente no Hospital Humaniza, em Porto Alegre.
A vítima, Alexandre Moraes de Lara, morreu em abril de 2025, após ficar quatro anos em estado vegetativo. A suspeita é de que o quadro clínico tenha ocorrido após ele receber uma quantidade de medicamento 10 vezes superior à indicada durante atendimento no hospital, em outubro de 2021.
Uma das rés é a médica Erika Bastos Schluter, responsável pelo atendimento no momento em que foram administrados os comprimidos. Além dela, responderão por homicídio culposo duas técnicas de enfermagem envolvidas no episódio. A Justiça não informou os nomes da dupla.
As três tinham sido denunciadas pelo Ministério Público por lesão corporal culposa. No entanto, com a morte da vítima, a denúncia foi mudada para homicídio culposo, com aumento de pena pela inobservância de regra técnica de profissão após a morte do paciente.
O indicado eram 30 miligramas, mas foram dadas 300 miligramas.
A reportagem entrou em contato com o advogado responsável pela defesa de Schluter em busca de uma posição a respeito da decisão da Justiça, mas não havia obtido retorno até a publicação desta notícia.
Relembre o caso
O suposto erro médico ocorreu em outubro de 2021. Lara tinha 28 anos quando deu entrada no hospital para tratar um problema cardíaco. No entanto, em vez de receber dois comprimidos de propafenona, ele recebeu 20 – 10 vezes mais. O medicamento é indicado para controlar batimentos do coração.
Gabrielle estava junto de Lara quando foi aplicada a superdosagem da medicação. Ela disse ter questionado um técnico de enfermagem, que confirmou a dosagem, indicada pela médica. Pouco depois, Lara passou mal. O remédio acabou provocando uma parada cardiorrespiratória.
Segundo a família, o médico cardiologista deu a receita correta, e o primeiro erro aconteceu na farmácia do hospital.
— A farmácia, na hora de cadastrar o medicamento, cadastrou errado. Ao invés de cadastrar como 30 miligramas, que era o correto, cadastrou como 300 miligramas. Então, ao invés de tomar os dois comprimidos que ele deveria, ele tomou 20 comprimidos — disse Gabrielle.
Um prontuário assinado pelo diretor-executivo do hospital apontou o erro da equipe. Segundo o documento, “a medicação dispensada pela farmácia do hospital era divergente da dosagem registrada no sistema e da prescrição médica”.
Indiciamento
O indiciamento de Erika Bastos Schluter foi por ação culposa, quando há negligência, imprudência ou imperícia. A médica foi afastada do hospital logo após o caso.
— Todas as provas levaram à responsabilização dela, porque ela era a médica responsável neste momento. Pela lei, como ela é uma profissional, uma técnica, ela teria obrigação de se informar sobre. Eu sempre digo que nós não sabemos tudo, mas nós temos que ir atrás para saber daquilo que não entendemos, se ela tinha certeza ou não daquela posologia — disse, na época, a delegada Carla Kuhn.
Durante a investigação, a delegada ouviu farmacêuticos, enfermeiros e técnicos que atenderam Lara, mas eles não foram responsabilizados à época.
— O enfermeiro, inclusive, que estava de plantão no momento dos fatos, quando buscou na farmácia esse remédio, ele conversou com ela e falou: “olha, doutora, tem uma quantidade exagerada aqui”. Mas parece que houve uma tentativa de falar com o “cardio”, mas que não obteve êxito. Então, dentro disso, ela determinou que se aplicasse aquela medicação toda no paciente — relata a delegada.
Na conclusão do inquérito, a delegada também apontou falhas nos processos administrativos que envolvem o cadastro dos medicamentos na farmácia do hospital.
Gaúcha ZH
Receba as principais notícias no seu celular:
https://chat.whatsapp.com/JYluchMp1Wf43mJY9aO3b3
Siga-nos no Facebook:
https://www.facebook.com/www.trespassosnews.com.br






