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Você já utilizou um álcool gel e logo depois reparou que suas mãos ficaram grudentas? Ou ao lavar as mãos sentiu como se estivesse usando uma “luva” do produto? As diversas sensações causadas por esse item tão essencial nos últimos meses de pandemia de coronavírus estão gerando uma série de dúvidas entre os consumidores.

GaúchaZH ouviu especialistas para explicar por que isso acontece e se os mais “gosmentos” (tem internauta chamando até de ectoplasma) funcionam da mesma forma que os fininhos que desaparecem da pele em seguida.

A ação antisséptica vem do álcool 70%, que originalmente é encontrado na forma líquida e pode ser transformado em um produto líquido de baixa viscosidade ou em um produto semissólido. Segundo Temis Cortes, professora de cosmetologia da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), essa diferença depende muito da formulação usada no produto.

Ela esclarece que a viscosidade do álcool gel é definida pelo fabricante de acordo com a embalagem e com as características sensoriais que ele pretende oferecer aos usuários:

— A pessoa que está formulando o produto também pode melhorar a pegajosidade do produto, adicionando emolientes ou silicones, que vão dar um sensorial melhor à pele.

Para deixar o álcool mais espesso, são utilizadas matérias-primas poliméricas. A coordenadora do Serviço de Farmácia do Hospital Moinhos de Vento (HMV) Bianca Gubert Borges afirma que o agente solidificante mais utilizado na produção do álcool gel é o carbopol 940 — que faltou no mercado logo após o início da pandemia e, por isso, precisou ser substituído por outro polímero.

— A maioria das substituições é com o hidroxietilcelulose, que também é um agente espessante. Mas o grau de solidificação dos dois são diferentes e todo o preparo do álcool gel muda, a técnica de preparo é diferente — explica Bianca.

No entanto, Temis garante que outros polímeros também são capazes de oferecer um sensorial bom, mas ainda depende da formulação.

— Se eu faço um álcool gel e não coloco nada além de polímero para espessar, ele vai ser antisséptico, mas pode deixar as mãos ressecadas. Então, temos que aditivar com glicerina, silicones, matérias-primas que melhorem a qualidade da pele do consumidor — exemplifica.

Portanto, a sensação de ter “luvas” de álcool gel nas mãos está relacionada ao polímero, já que o álcool evapora, mas a película fica na pele e, se a pessoa não lavar as mãos, vai acumulando de acordo com a utilização do produto.

Mas é prejudicial?

A professora ressalta que os mais viscosos não fazem mal nenhum à pele e que a experiência sensorial é variável e individual — há quem goste mais do líquido e pode haver quem goste do viscoso:

— Vai gerar desconforto para alguns e, para outros, não. É preciso ir testando diferentes marcas, cada um é de um jeito.

Bianca destaca que o importante é incorporar o percentual de 70% entre álcool etílico e água e que os consumidores tenham a garantia de que o produto está dentro das normas técnicas.

— Não é pela consistência de ser mais grosso ou mais gosmento que ele vai ser menos efetivo. A espessura não difere, até porque as marcas comerciais, mesmo produzidas em grandes laboratórios, têm consistências diferentes — complementa.

GZH