Bichos
Suposta sucuri em São Borja. Foto: Paulo Roque Sarmanho/Facebook/Reprodução

A postagem no Facebook de um morador de São Borja, na Fronteira Oeste do RS, no último sábado, 1, viralizou nas redes sociais com centenas de compartilhamentos. Nela, além da foto de uma sucuri, segundo ele tirada naquele dia, Paulo Roque Sarmanho comenta sua preocupação com a proliferação da serpente no interior do município. Confira abaixo:

“Preocupa muito essa proliferação da cobra Sucuri pelo interior do município de São Borja.

Nativa da região do Pantanal e da Amazônia hoje já é facilmente encontrada em banhados,rios e lavouras de arroz aqui em São Borja.

Principalmente na região do Rincão de Santana, Santa Luzia e Caçacã.

Todo o cuidado é pouco.

Essa é de hoje!”

Entre os inúmeros comentários, o internauta Roberto Zacouteguy fez o seguinte questionamento:

“Nos últimos meses vários relatos de ataques de sucuri em São Borja, mas nem um confirmado oficialmente, não que eu saiba, ou que tenha saído em algum órgão de notícia. Até se discute se é mesmo uma sucuri ou uma curijú, então questiono… não serio o casa da Secretária do Meio Ambiente, se é que tem, e/ou a administração municipal de São Borja dar um explicação oficial sobre isso ou ir buscar a real situação do caso ??? Como por exemplo, quem tirou essa foto onde é o local ??? Nomes, lugares, precisa se de informações completas e fidedignas. Agora virou moda, postam foto de sucuri e já dizem que é em São Borja.”

Sucuris já não são mais lendas no Rio Grande do Sul

A ocorrência de cobras sucuris no Rio Grande do Sul está presente no relato de muitas pessoas e, de tempos em tempos, sempre volta a ser assunto entre moradores. O avistamento da serpente é mais comum do que se pensa, e há uma região aqui no Estado onde elas já são consideradas estabelecidas por biólogos.

Na região de São Borja, a captura de sucuris, com tamanhos a partir de 2 metros e meio é relativamente comum há mais de 10 anos. Tão comuns que quando capturadas são devolvidas à natureza. Os pesquisadores que tem acompanhado os casos frequentes de sucuris em São Borja confirmaram entre 2010 e 2013 a presença de pelo menos oito exemplares da espécie.

Em 2018, o biólogo Guilherme Santos, de São Borja, disse que esta espécie de cobra, aparentemente já está adaptada e se reproduzindo na região e fazendo parte da fauna do Estado do Rio Grande do Sul. Ele ressaltou que, com isso, os exemplares capturados não mais seriam retirados do seu habitat natural. O biólogo informou ainda que estava sendo elaborado documento por pesquisadores de São Borja, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) que, após ser publicado na revista científica Check List (Journal of Species Lists and Distribution), o município gaúcho passaria a constar oficialmente como local onde há ocorrência da sucuri amarela.

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