Economia
Foto: Divulgação/Presidência da República

Bolsonaro voltou a criticar medidas de contenção da pandemia tomadas por governadores e prefeitos. Dois dias depois de se referir ao coronavírus como “gripezinha” e “resfriadinho”, o presidente disse se importar com vidas e empregos que serão perdidos. A fala foi transmitida por vídeo em rede social, na noite desta quinta-feira (26).

— Não to criticando os governadores. Crítico alguns poucos governadores e prefeitos que erraram na dose do remédio. E uma dose errada vira veneno. O povo tá desesperado, quer trabalhar. Todos estamos preocupados com a vida, queremos que não haja morte nenhuma por causa do vírus. Mas é como uma chuva, vamos sair e nos molhar, mas vamos tocar o barco — comparou, mas depois admitiu preocupação:

— A preocupação tem que existir? Tem. E a primeira pessoa a se preocupar é você que tem idoso dentro de casa. Não pode esperar que o governo faça tudo. O governo faz tudo só nas ditaduras. Em Venezuela e Cuba deve estar uma maravilha. Sabe se morreu alguém lá? Não se sabe.

Segundo a última atualização do Ministério da Saúde do Brasil, em números divulgados às 17h desta quinta, 77 pessoas já morreram por conta do coronavírus no país. Bolsonaro citou o primeiro falecimento pela doença em Goiás, confirmado nesta quinta, para repetir sua opinião de que a covid-19 não é necessariamente a causa principal dos óbitos.

— A gente lamenta. Mas a senhora tinha outras três doenças que podem ter matado ela. Às vezes é até uma fraqueza da pessoa, pela vida pregressa dela — declarou.

Crise financeira

Sobre possível perda de empregos por conta de medidas de combate à pandemia, o presidente manteve o discurso de que a população precisa seguir trabalhando.

— O vírus chegou e é uma onda que vai passar. Agora, o que não pode chegar é uma onda de desemprego, porque essa demora para passar. E leva a família toda — ressaltou, alertando:

— Amigo, sem grana tu morre de fome, de depressão, suicídio, vem violência atrás disso. há uma relação direta entre o percentual de desempregados e violência.

Para enfatizar sua desaprovação as medidas de contenção, associou o isolamento social ao aumento de casos de agressões a mulheres registrado nos últimos dias:

— Aumentou a violência contra mulher. Qual a origem disso? É o confinamento, todo mundo fica em casa, falta de dinheiro. Onde falta o pão todos brigam e ninguém tem a razão.

GZH