Saúde
Foto: Africa Studio / Adobe Stock

Uma ferida na boca que não cicatriza, um nódulo no pescoço ou uma lesão na pele que não desaparece podem ser sinais de alerta para câncer de cabeça e pescoço. 

Durante o Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre essas doenças, o cirurgião de cabeça e pescoço Yuri Goersch, especialista que atende em Passo Fundo, no norte do Estado, orienta que o foco deve estar no diagnóstico precoce, capaz de aumentar significativamente as chances de cura e reduzir as sequelas do tratamento. 

De acordo com Goersch, quando o diagnóstico é feito nos estágios iniciais, de 70% a 95% dos pacientes conseguem ser curados e apresentam boa sobrevida em cinco anos. Nos casos avançados, esse índice pode cair para até 45%.

Depois do câncer de pele, os tumores mais frequentes na especialidade são os de boca, garganta e laringe, região das cordas vocais.

Yuri Goersch / Arquivo pessoal

Quando o diagnóstico é feito nos estágios iniciais, entre 70% e 95% dos pacientes conseguem ser curados.

Segundo o médico, o câncer de pele é o mais frequente na região da cabeça e do pescoço e também o tipo mais comum de câncer no corpo humano, principalmente porque essas áreas ficam mais expostas à radiação ultravioleta ao longo da vida. 

O especialista explica que o protetor solar é uma das estratégias para prevenir o surgimento desse tipo de lesão, mas a proteção deve ser combinada com outras medidas, como o uso de chapéus de aba larga e a redução da exposição ao sol nos horários de maior intensidade da radiação ultravioleta.

— As lesões podem surgir como uma pequena ferida, uma casquinha, uma bolinha ou uma mancha. Se não desaparecerem em duas ou três semanas, ou apresentarem crescimento, precisam ser investigadas — comenta Goersch.

Depois do câncer de pele, os tumores mais frequentes na especialidade são os de boca, garganta e laringe, região das cordas vocais.

—  O câncer de boca costuma começar com uma ferida que não cicatriza. Já os tumores de garganta podem provocar dor ou desconforto para engolir. Na laringe, um dos principais sinais é a rouquidão persistente, além da dificuldade para engolir em casos mais avançados — destaca. 

O médico explica que o câncer de boca é o quinto mais comum entre os homens no Brasil e em grande parte está relacionado ao tabagismo e ao consumo frequente de bebidas alcoólicas. Nas mulheres, a incidência é menor.

Outro tumor frequente é o câncer de tireoide, que ocupa a quinta posição entre os cânceres mais comuns nas mulheres.

—  Na maioria das vezes, ele não apresenta sintomas e acaba sendo descoberto durante um exame de ultrassom. Quando há manifestação clínica, normalmente aparece como um nódulo no pescoço — comenta o especialista. 

Como reduzir o risco e quando procurar atendimento

Entre as principais orientações estão:

  • Observar lesões na pele, boca ou pescoço que persistam por mais de duas ou três semanas.
  • Procurar avaliação médica diante de rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou aparecimento de nódulos no pescoço.
  • Evitar exposição solar excessiva, principal fator de risco para o câncer de pele.
  • Abandonar o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, fatores diretamente relacionados aos cânceres de boca, garganta e laringe.
  • Manter a vacinação contra o HPV quando indicada, já que o vírus também está associado a alguns tumores da região.

— O objetivo é fazer com que as pessoas reconheçam os sinais de alerta e procurem atendimento rapidamente. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples tende a ser o tratamento e maiores são as chances de cura — finaliza. 

Gaúcha ZH

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