Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a hipertensão arterial tem se manifestado de forma cada vez mais precoce, atingindo adolescentes e jovens adultos em plena fase produtiva da vida. O que antes era visto como um problema restrito à terceira idade hoje se consolida como um alerta de saúde pública, exigindo atenção redobrada de profissionais, famílias e dos próprios jovens.
O aumento da prevalência da doença está ligado a mudanças comportamentais e ambientais das últimas décadas. Sedentarismo, obesidade precoce e o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados figuram entre os principais fatores de risco. No entanto, conforme explica o cardiologista Guilherme Vogt (CRM 37810 / RQE 364300), o cenário é ainda mais complexo.
Segundo ele, ganham relevância o estresse crônico associado ao uso constante de telas, a privação de sono e o crescimento expressivo do uso de esteroides anabolizantes, estimulantes e substâncias psicoativas, práticas cada vez mais presentes na rotina daqueles que buscam desempenho, estética ou compensar jornadas exaustivas.
Quando a pressão é considerada alta
De acordo com diretrizes internacionais, a pressão arterial é considerada elevada quando atinge 140/90. Para jovens, valores próximos a 130/80 mmHg também exigem atenção, especialmente se houver fatores de risco adicionais.
Diagnóstico clínico
Muitas vezes silenciosa e assintomática, a pressão alta em jovens costuma ser diagnosticada tardiamente, o que amplia o risco de complicações cardiovasculares ao longo dos anos. Por isso, Vogt destaca que o diagnóstico precoce depende de uma estratégia de busca ativa.
“Medições regulares da pressão arterial em consultas de rotina, mesmo em pacientes jovens e sem sintomas, são fundamentais”, afirma. A confirmação diagnóstica deve incluir medições fora do consultório, como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), que permite identificar hipertensão sustentada, mascarada ou o
chamado efeito do avental branco. A avaliação de fatores de risco associados e do histórico familiar completa a abordagem clínica.
Prognóstico e complicações
“Mesmo níveis pressóricos discretamente elevados, quando mantidos por décadas, promovem remodelamento do sistema vascular, hipertrofia do ventrículo esquerdo, disfunção endotelial e aceleração do processo aterosclerótico”, destaca Vogt. A aterosclerose, lembra o cardiologista, é responsável por cerca de 35% das mortes no mundo.
Além das complicações cardíacas, a hipertensão impacta diretamente rins, cérebro e metabolismo, elevando o risco futuro de insuficiência renal crônica, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto precoce.
Prevenção e intervenções
As mudanças no estilo de vida são a base tanto da prevenção quanto do tratamento inicial da hipertensão em jovens. Evidências científicas consistentes demonstram os benefícios da adoção de uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, aeróbica e resistida, controle do peso corporal, melhora da qualidade do sono e manejo do estresse.
“A cessação do tabagismo e a moderação do consumo de álcool são igualmente essenciais”, acrescenta o cardiologista. Em pessoas jovens, essas intervenções apresentam alto impacto e significativo potencial de reversão do quadro.
Quando as medidas não farmacológicas não são suficientes, a terapia medicamentosa passa a ser indicada, especialmente nos casos de hipertensão persistente, presença de lesão de órgão-alvo, comorbidades como diabetes ou obesidade mórbida, ou níveis pressóricos muito elevados já no diagnóstico.
O tratamento deve ser sempre individualizado. Vogt ressalta que, em mulheres em idade fértil, por exemplo, medicamentos como enalapril ou losartana não são recomendados devido ao risco de prejuízos ao feto.
“É fundamental priorizar eficácia, perfil de segurança e adesão ao tratamento. O acompanhamento clínico deve ser contínuo, com monitorização periódica, avaliação de efeitos adversos e reforço das mudanças de estilo de vida, além da reavaliação constante do risco cardiovascular”, conclui.
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