Saúde
Foto; Jeff Botega / Agencia RBS

O que para alguns é um mero substituto do café para o ganho de energia, para outros ganha significados mais profundos, como conforto e pertencimento.

Ricos em cafeína e taurina, as bebidas energéticas são estimulantes que ganharam popularidade nos últimos anos e seguem em crescimento, especialmente entre os jovens.

Dados da empresa de pesquisa Kantar de 2024 mostram que 22% dos brasileiros — sobretudo pessoas de até 29 anos — consomem o produto fora de casa. Além disso, o levantamento aponta que a bebida está presente em 38% dos lares no país.o

O hábito chama atenção pela pluralidade das justificativas dos seus consumidores mais fiéis. E, por se tratar de um estimulante, ele frequentemente levanta dúvidas a respeito de possíveis riscos à saúde.

O que leva ao consumo? 

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Bebida rica em substâncias estimulantes é muitas vezes consumida por aqueles buscam produtividade.Joose / Adobe Stock

Embora o uso da substância esteja geralmente associado à produtividade, os contextos diferem de caso para caso. 

Entretanto, uma similaridade uniu as três jovens entrevistadas pela reportagem: nenhuma delas costuma beber café. Questionadas a respeito, elas afirmaram utilizar o energético como uma fonte de energia alternativa ao famoso estimulante vindo do grão brasileiro.

O que dizem os especialistas

De acordo Lovaine Rodrigues, professora de Nutrição da Unisinos, a bebida traz uma combinação que tem a capacidade de aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial. Além disso, não aumenta a energia, apenas mascara a falta dela.

— O energético combina doses elevadas de cafeína com açúcar para mascarar o cansaço do corpo. Ele usa reservas de energia do próprio organismo. 

Uma lata da bebida pode conter até 160 miligramas de cafeína, o que equivale a três xícaras de café expresso. De acordo com a especialista, a alta concentração facilita uma possível superdosagem.

— O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento e é muito sensível aos estimulantes. Os efeitos agudos incluem taquicardia, pico de pressão, crise de ansiedade, dor de cabeça e insônia. 

O cenário se torna ainda mais preocupante quando o álcool entra na equação. Muito comum entre os jovens, a combinação potencializa os efeitos e aumenta o risco de sobrecarga no coração e desidratação grave

Por esse motivo, os órgãos fiscalizadores (Anvisa e MAPA) proíbem a venda de produtos que contenham essa mistura. Na noite, ela é feita pelos jovens por sua conta e risco.

Professor do Departamento de Bioquímica da UFRGS, Jose Claudio Moreira afirma que o abuso de estimulantes pode trazer consequências a médio e longo prazo.

Conforme conta o especialista, o sistema nervoso central do jovem ainda está em formação e, por isso, pode ser facilmente “bagunçado” por excesso de informações externas.

— Você pode acabar tendo um problema de déficit de atenção, de desorganização de memória e de percepção do ambiente.

A Academia Norte-americana de Pediatria (AAP) recomenda que crianças e adolescentes não consumam bebidas energéticas. De acordo com a instituição, o seu uso está associado a efeitos adversos.

— Precisamos também ter uma recomendação nacional de restrição de uso — defende Lovaine, da Unisinos.

A nutricionista reforça que jovens nessa faixa etária, além de estarem mais suscetíveis à substância, não necessitam do estímulo.

Melhor optar pelo café? 

McKlin / Adobe Stock
Embora natural e mais equilibrado, o consumo de café também tem limite.McKlin / Adobe Stock

Apesar da concentração de cafeína ser tendencialmente menor em comparação ao energético, o excesso de café também é nocivo.

Há, porém, um diferencial: o energético é uma bebida ultraprocessada. Isso significa que, além dos compostos estimulantes, ele contém aditivos químicos e, por isso, tende a ser mais prejudicial. 

No final das contas, ambos enfatizam que a moderação continua sendo o principal fator para evitar danos à saúde. Afinal, seja um energético ou um café quentinho, o que faz o veneno é a dose.

Gaúcha ZH

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