Saúde
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A chegada de temperaturas mais baixas em junho gera um sinal de atenção para a saúde cardiovascular — que inclui coração e vasos sanguíneos. O frio está entre os elementos que podem facilitar o aparecimento de doenças como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), mas especialmente em grupos de risco.

— Momentos de estresse físico ou emocional aumentam o risco de ter o que chamamos de evento cardiovascular, que pode ser um infarto ou um AVC. Mas isso funciona como uma gota num copo d’água: é muito difícil alguém que não tenha história ou problemas prévios infartar ou ter um AVC simplesmente por causa do frio — explica o cardiologista Paulo Caramori, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital São Lucas da PUCRS, em Porto Alegre.

A temperatura facilita a vasoconstrição (o estreitamento dos vasos sanguíneos), a elevação da pressão e a sobrecarga do coração. O aumento das infecções respiratórias neste período gera um alerta, como acrescenta o cardiologista Raphael Boeshe, chefe do Setor de Pesquisa Clínica e médico da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Cardiologia, na Capital.

— Isso favorece, de certa forma, um desbalanço no organismo. Não que a infecção respiratória leve diretamente ao infarto, mas somando fatores de risco do paciente e um quadro infeccioso que pode descompensar outras coisas cardiológicas, como insuficiência cardíaca, sabemos que também eleva um pouco o risco — pontua.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, principalmente em países de baixa e média renda.

O que pode causar uma doença no coração?

Entre as doenças cardiovasculares mais frequentes, estão hipertensão arterial, infarto, AVC, insuficiência cardíaca e arritmia.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Pressão alta não controlada
  • Colesterol ruim elevado
  • Lipoproteína(a) elevada
  • Diabetes
  • Tabagismo
  • História familiar (isto é, familiares que já tiveram eventos cardiovasculares)
  • Obesidade
  • Sedentarismo

Sintomas de doenças cardiovasculares

Alguns sinais devem chamar a atenção e indicam a necessidade de busca por ajuda médica. Um dos mais importantes é a dor no peito, principalmente de forte intensidade, que dura mais que cinco a 10 minutos e que pode irradiar para outros pontos do corpo, como estômago, costas e mandíbula. 

— Qualquer dor torácica, de forte intensidade, retroesternal (atrás do osso localizado no centro do peito), associada a um contexto de sudoreseirradiaçõesnáuseas vômitos, deve ser investigada. Para o cardiologista, qualquer dor abaixo do queixo e acima do umbigo deve ser investigada — esclarece Raphael.

falta de ar súbita e a sensação de coração descompassado também entram na lista. Todos esses fatores independem da idade da pessoa.

Segundo o cardiologista Felipe Tomasini, coordenador da emergência cardiológica do Hospital São Lucas, dois sinais não podem ser negligenciados: dor no peito e falta de ar

Ao apresentar esses sintomas, a orientação é que a pessoa se dirija a uma emergência, faça exames e tenha avaliação médica.

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Em caso de dor no peito e falta de ar, orientação é buscar ajuda médica.eggeeggjiew / stock.adobe.com

Qual a diferença entre infarto e insuficiência cardíaca?

O infarto acontece quando há obstrução em uma artéria que leva sangue para o coração. A falta de sangue acaba por levar à “morte” de um pedaço do músculo do coração. Essa situação é uma das principais causas de insuficiência cardíaca

— O infarto é mais ou menos como um incêndio que acontece no coração, causando um dano agudo naquele dia. E a insuficiência cardíaca é a consequência que pode vir desse infarto — diferencia o cardiologista Paulo Caramori.

A insuficiência é definida quando a capacidade de bombeamento do coração é comprometida seja porque o órgão não tem força suficiente para contrair, seja porque não tem a capacidade de relaxar.

— O coração é como uma “bomba”, que leva sangue para todo o sistema circulatório. Com esse comprometimento, pode-se gerar um acúmulo de líquidos nos pulmões ou edemas ou falta de ar, sintomas que muitas vezes vão se acumulando com o passar dos dias. A pessoa não presta atenção e quando vê está em uma situação que o coração já não está dando conta — alerta Raphael.

Colesterol alto x hipertensão

O colesterol é uma molécula que circula no sangue. Quando está muito elevado, gera um mecanismo de inflamação dentro dos vasos.

Já a hipertensão arterial é uma doença caracterizada pela pressão arterial elevada. Frente a isso, essa pressão começa a machucar alguns órgãos, levando a causas secundárias, como infarto, problemas renais, cerebrais ou oculares. 

Esses são dois fatores de risco de doença cardiovascular

— Existem pessoas que têm pressão alta e não têm doença cardiovascular, mas é um fator de risco. Todas essas doenças são fatores de risco, que em conjunto pode levar a uma situação mais grave — ressalta o cardiologista Raphael.

Como ter um coração saudável?

Descascar mais e desembrulhar menos é uma das regras, segundo o cardiologista Raphael. Ou seja, a preferência deve ser por uma dieta balanceada, com mais frutas, verduras e alimentos não processados.

Outra ponto refere-se à prática de exercício físico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que qualquer quantidade é melhor do que nenhuma e que, quanto mais, melhor. 

A recomendação da entidade é de pelo menos 150 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana para adultos e de cerca de uma hora de atividade aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes. 

— Muitas vezes os fatores de risco (leia acima) não causam nenhum sintoma. A pessoa pode estar com colesterol altíssimo, com diabetes, com pressão alta, e estar completamente assintomática. Então, fazer check-ups a cada seis meses ou a cada um ano, quando a pessoa é muito jovem, são algumas das formas que temos para manter uma saúde cardiovascular — ressalta o cardiologista Felipe Tomasini.

Os especialistas consultados por Zero Hora também acrescentam orientações importantes:

  • Para quem tem diagnóstico de alguma doença, utilizar as medicações corretamente
  • Evitar álcool em excesso, tabagismo e uso de drogas
  • Dormir bem, controlar o estresse e manter o peso adequado

Gaúcha ZH

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