As hepatites virais são doenças que afetam o fígado e, muitas vezes, podem evoluir até a forma crônica sem causar sintomas perceptíveis. Nesta terça (28), o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais ressalta sobre da prevenção, vacinação e tratamento dessas infecções.
A nível mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 304 milhões de pessoas convivam com hepatite B ou C, muitas sem saber que estão infectadas. Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que no Brasil foram mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C responde por 41,5% dos diagnósticos, seguida da hepatite B, com 36,6%.
A evolução silenciosa da doença, atrelada à baixa procura por tratamentos, é um dos principais obstáculos para conter o avanço da doença, como aponta a médica infectologista do Hospital de Clínicas de Ijuí, Paula Korsack:
— Muitas das hepatites, mesmo na fase aguda, podem não apresentar sintomas e acabarem evoluindo para a fase crônica. Os pacientes podem viver por anos sem sentir nada e, quando sentem, já então com uma inflamação significativa no fígado, um grau de fibrose, cirrose ou até mesmo um câncer de fígado.
Quais os tipos de hepatite mais comuns?
Existem cinco tipos de vírus que causam hepatites virais: A, B, C, D e E. As mais comuns são A, B e C.
A hepatite A provoca uma infecção aguda e, em geral, o organismo elimina o vírus naturalmente, sem evolução para a forma crônica. Já as hepatites B e C podem permanecer no organismo por muitos anos e causar danos progressivos ao fígado caso não sejam diagnosticadas e tratadas.
Formas de transmissão
- Hepatite A: é contraída pela via fecal-oral, ou seja, a pessoa adquire o vírus ao consumir água ou alimentos contaminados por fezes de pessoas infectadas. Por isso, está muito relacionada às condições de higiene e saneamento básico;
- Hepatite B: é classificada como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), pois sua principal forma de transmissão é por via sexual, em relações sexuais sem proteção. Além disso, também pode ser transmitida pelo contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto;
- Hepatite C: tem como principal forma de transmissão o contato com sangue contaminado, seja em compartilhamento de objetos perfurocortantes, como alicates, cortadores de unha e lâminas de barbear, pode transmitir o vírus quando esses utensílios entram em contato com sangue contaminado;
- Hepatite D: Segue as mesmas vias da Hepatite B, por via sexual, parenteral (sangue) e vertical. Ocorre por coinfecção (pegar B e D ao mesmo tempo) ou superinfecção (quem já tem B pega o D depois);
- Hepatite E: é transmitida por via fecal-oral e geralmente é autolimitada (o corpo cura sozinho). O grande risco desta hepatite é para gestantes, onde a doença pode levar a morte.
Como diagnosticar e tratar
Quando sintomáticas, as hepatites podem se manifestar através de dores abdominais, cansaço, tontura, enjoo, vômitos, pele e olhos amarelados (icterícia), e até alterações no sistema hematológico, como sangramentos.
As hepatites A e B têm vacina disponível para toda a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nos demais casos, a prevenção depende de manter bons hábitos de higiene.
— A gente deve prevenir tendo hábitos de higiene, usando preservativo nas relações sexuais, tomando vacina e aumentando a testagem para um diagnóstico precoce — ressalta a infectologista.
As hepatites B e C, que podem se tornar crônicas (com duração maior que seis meses) têm tratamento disponível gratuitamente pelo SUS, sendo que a C pode ter cura em tratamentos de 12 a 24 semanas, enquanto a B evita a piora dos casos.
No HCI, um estudo recente reduz o tempo de tratamento da hepatite C crônica, que diminui para oito semanas de medicação. O avanço é oferecido aos pacientes, como conta a médica:
— É um facilitador para a adesão dos pacientes, ajuda com que eles não abandonem o tratamento. Hoje a taxa de cura chega a 95%, enquanto há alguns anos era bem menor, com efeitos colaterais similares a uma quimioterapia.
Gaúcha ZH
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