Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) seguem em crescimento no Rio Grande do Sul e acendem um alerta também na região Celeiro. O novo boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que o Estado passou da condição de alerta para a categoria de risco, indicando aumento nas notificações e maior circulação de vírus respiratórios nas últimas semanas.
Até o momento, o Rio Grande do Sul registra 237 mortes relacionadas às síndromes respiratórias, enquanto apenas entre os dias 10 e 16 de maio, foram contabilizadas 408 hospitalizações por problemas respiratórios, conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Entre os principais agentes em circulação estão a Influenza A, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e outros vírus respiratórios.
Situação regional acompanha aumento registrado no Estado
Levantamento feito pelo departamento de jornalismo da Rádio Província, na área de abrangência da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde (2ª CRS), até o dia 25 de maio de 2026, foram registrados 54 casos de hospitalização por SRAG e dois óbitos relacionados à síndrome.
De acordo com a analista em Saúde e farmacêutica da Vigilância Epidemiológica da 2ª CRS, Amanda Froeder, o cenário regional acompanha a tendência observada em todo o Estado, impulsionada principalmente pela sazonalidade dos vírus respiratórios e pelo aumento das internações nas últimas semanas epidemiológicas.
A SRAG é considerada um quadro respiratório mais grave, geralmente necessitando hospitalização, podendo apresentar sintomas como febre, tosse intensa, dificuldade para respirar, baixa saturação de oxigênio, desconforto respiratório e necessidade de suporte ventilatório em alguns casos. Entre os principais vírus associados atualmente estão Influenza, VSR, Rinovírus e Covid-19.
O departamento de jornalismo da Rádio Província entrou em contato com a Ana Claudia Lanzoni Lanza responsável pelo setor de imunização da 2° Coordenadoria Regional de Saúde, que destacou que a região já contabiliza 24.074 doses aplicadas entre os grupos prioritários da campanha de vacinação. A população-alvo estimada é de 59.329 pessoas, o que representa uma cobertura vacinal de 40,58% até o momento.
Entre os grupos prioritários monitorados pela cobertura vacinal na região estão crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes e idosos acima de 60 anos.
O dado que chama atenção é a baixa adesão entre as crianças, cuja cobertura está em 28,55%, abaixo dos 30%. Entre as gestantes, a cobertura é de 44,35%, enquanto entre idosos chega a 43,84%. As demais populações são acompanhadas pelo número de doses aplicadas.
A campanha para os grupos prioritários segue prevista até o dia 31 de maio, podendo ser prorrogada pelo Ministério da Saúde, conforme avaliação do cenário epidemiológico.
Outro fator que influencia o andamento da imunização é o atraso na distribuição de doses por parte do Ministério da Saúde. Até o momento, os municípios receberam aproximadamente 60% do quantitativo previsto, situação que pode impactar o avanço da campanha em algumas localidades.
Escolas e grupos vulneráveis exigem atenção
A orientação da área da saúde é reforçar cuidados especialmente no ambiente escolar. Crianças com febre, tosse intensa, dificuldade respiratória ou mal-estar importante não devem permanecer em sala de aula. Também é recomendado reforçar a ventilação dos ambientes, a higienização frequente das mãos e a orientação às famílias e professores.
Outro ponto considerado essencial é a proteção de recém-nascidos e bebês pequenos, considerados grupos de maior vulnerabilidade. Mesmo sintomas leves em adultos podem representar risco para crianças pequenas. A recomendação é evitar visitas quando houver sintomas gripais, além de evitar beijos e manter a higienização das mãos antes do contato com os bebês.
O oseltamivir (Tamiflu) segue disponível gratuitamente na rede pública e é indicado principalmente para grupos de risco mediante avaliação médica. O tratamento apresenta melhores resultados quando iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas.
Hospital Santo Antônio registra aumento de casos em Tenente Portela
Em Tenente Portela, o cenário também apresenta crescimento nas demandas por atendimento respiratório. Informações obtidas junto ao Hospital Santo Antônio apontam um aumento de aproximadamente 40% nos casos respiratórios, além de um número elevado de internações relacionadas ao quadro.
Ainda conforme as informações repassadas pela unidade hospitalar, há diversos casos positivos de Influenza do tipo A, com uma média de seis internações diárias por sintomas respiratórios.
Diante da situação, algumas medidas passaram a ser adotadas internamente, como limitação de visitas, restrição da circulação em corredores e reforço das orientações sobre higienização correta das mãos, buscando reduzir a propagação dos vírus dentro do ambiente hospitalar.
A orientação das equipes de saúde é para que pessoas pertencentes aos grupos de risco, como idosos, gestantes, puérperas, crianças pequenas, imunossuprimidos e pacientes com doenças crônicas, procurem atendimento médico rapidamente ao apresentarem sintomas gripais. A vacinação segue sendo apontada como uma das principais formas de prevenção contra casos graves e hospitalizações.
Jornal Província
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