Ao menos 3.790 mulheres devem ser diagnosticadas com câncer de mama no Rio Grande do Sul neste ano. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que prevê outros 78 mil casos novos no mesmo período em todo o Brasil, anualmente até 2028.
A realidade gaúcha segue o cenário do mundo: o câncer de mama foi o segundo tipo de câncer mais diagnosticado no mundo em 2024, ainda conforme o Inca. Dados da Organização Mundial de Saúde divulgados em 2026, apontaram que o câncer foi o responsável pela morte de 700 mil mulheres em 2024, sendo a principal causa de mortalidade feminina por neoplasias naquele ano.
Para a médica mastologista Eduarda Luzzi, do Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI), o aumento é uma tendência global e tem se tornado mais frequente no Rio Grande do Sul quando associado a hábitos de saúde da população:
— Existem coisas que, junto a incidências cada vez mais precoces, têm aumentado a incidência do câncer de mama na população. A gente sabe que nossa população tem sobrepeso, que envelhece mais, tem um índice maior de tabagismo em relação ao resto do país, então isso tudo torna o câncer mais frequente entre as mulheres.
Diagnóstico precoce reduz o impacto

Segundo pesquisas do Observatório de Oncologia, os melhores resultados de tratamento e de qualidade de vida estão associados ao diagnóstico da doença nos estágios iniciais, e ao início rápido do tratamento. Nesse sentido, o RS já mostra avanço em relação ao país, com menores índices de diagnóstico tardios — somente 38,1% dos casos foram diagnosticados nos estágios 3 ou 4, os mais avançados da doença.
Na análise da médica, o resultado se dá pela ampliação da cobertura de mamografia no Estado, que é o principal exame de rastreamento. Quando descoberto em estágio inicial, a chance de cura pode ser de 100%, como explica a médica:
— A chance de cura chega a 100% quando o tumor é descoberto em estágio zero, quando há apenas calcificações alteradas no exame. Só que o nódulo costuma ser percebido só quando já tem 3 ou 4 centímetros, e a cura segue possível, mas com perspectiva menor. Por isso acredito que a chave do processo de cura é realmente ampliar a cobertura de mamografia, conscientizar as pessoas pra elas fazerem cada vez mais.
O mastologista detalha cada um dos estágios, mas enfatiza que o tratamento é pensado de forma individualizada e a evolução do quadro depende do organismo de cada paciente. Veja detalhes:
- Estágio 0: são lesões precursoras, chamadas de Carcinoma in situ, um tipo de câncer inicial, não invasivo, em que as células malignas estão restritas ao local de origem.
- Estágio 1: precoce, o primeiro estágio tem lesões de até 2 centímetros e está limitado à mama ou tem uma pequena disseminação. As chances de cura podem chegar a 95%.
- Estágio 2: tumor com maior disseminação, mas ainda sem atingir outras partes do corpo. Chances de cura são de 80% a 90%.
- Estágio 3: considerado avançado, representa um tumor que cresceu e/ou se espalhou, mas ainda não afetou órgãos distantes. O tumor tem a partir de 5 centímetros, com chance de cura de 70% a 85%.
- Estágio 4: patamar mais avançado do câncer, quando o tumor já tem metástase. O tratamento é focado no controle da doença e alívio dos sintomas.
O que reduz o risco
Ter histórico da doença na família não significa, necessariamente, que a mulher vá desenvolver o câncer, uma vez que a grande maioria dos cânceres de mama não estão ligados a fatores genéticos, mas a fatores ambientais, como hábitos de vida.
A prevenção primária envolve hábitos como controle de peso e exercício físico — que, quando associados, podem reduzir o risco de desenvolver câncer em cerca de 30%. Entre outros hábitos, a médica aponta:
- reduzir o consumo de álcool
- parar de fumar
- controle o peso
- praticar atividade física.
Quando a paciente possui vários familiares com diferentes tipos de câncer, especialmente em idade precoce, vale tomar mais cuidado. A recomendação é consultar periodicamente para investigar, se necessário.
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Quando e com que frequência fazer os exames
- Mamografia: para população em geral, dos 40 aos 74 anos, uma vez por ano. Para quem tem histórico (mãe ou irmã com câncer de mama antes dos 40 anos), precisa começar entre os 30 e 35, conforme recomendação médica.
- Ultrassom de mamas: exame complementar, usado para esclarecer achados da mamografia ou em mamas densas, conforme orientação médica.
Gaúcha ZH






