Os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão contar, em breve, com um novo exame para o rastreamento do câncer de colorretal. Trata-se do Teste Imunoquímico Fecal (FIT), incluído pelo Ministério da Saúde na tabela de procedimentos do SUS, conforme publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (10).
O exame passará a ser registrado nos sistemas do SUS a partir de setembro, mas já havia sido antecipado em maio. De acordo com o Ministério da Saúde, o procedimento apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Além disso, a expectativa do Ministério da Saúde é de que o FIT amplie o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença, que é o segundo câncer de intestino mais comum no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que mais de 53 mil pessoas serão diagnosticadas com a doença por ano até 2028.
O novo protocolo é destinado a pessoas entre 50 e 75 anos, de ambos os sexos, e deve ser realizado a cada dois anos. O exame não deve substituir a investigação diagnóstica em casos suspeitos ou sintomáticos.
O que é e como funciona o FIT
O FIT é um exame laboratorial que identifica, por meio de uma amostra de fezes, se há algum sangramento no intestino. A partir desse resultado, é possível iniciar uma investigação mais aprofundada.
A detecção do sangue é feita por meio da reação de uma solução específica, que contém anticorpos capazes de reconhecer a hemoglobina humana nas fezes.
De acordo com o chefe do Serviço de Coloproctologia da Santa Casa de Porto Alegre, Daniel Azambuja, o procedimento será utilizado no rastreamento da população assintomática, mas não substituirá a colonoscopia.
— Esse teste não detecta o câncer de intestino, mas detecta especificamente se a pessoa tem sangue nas fezes ou não. Se o resultado for positivo, a pessoa terá que fazer uma investigação, provavelmente com uma colonoscopia — afirma o especialista.
O FIT não substitui a necessidade da colonoscopia, considerada o principal exame para a avaliação do intestino. No entanto, o teste é uma alternativa mais barata para o sistema de saúde e mais prática para o paciente, uma vez que não exige preparo específico, como uma dieta restritiva antes da coleta. Além disso, pode ser realizado com uma única amostra de fezes e é menos invasivo.
Para realizar o exame, o paciente só precisa retirar um kit, coletar a amostra de fezes em casa e transportá-la até o laboratório. Os resultados costumam ser rápidos, com prazo de um a três dias úteis.
Gaúcha ZH
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