Segurança
Foto: Leiria – Polícia Penal/Reprodução

A confirmação de uma série de casos de tuberculose pulmonar no interior do Presídio Estadual de Três Passos acendeu um alerta sanitário e passou a ser objeto de investigação formal do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A situação veio à tona a partir de uma denúncia anônima encaminhada à Promotoria de Justiça da comarca no final de agosto, que relatava a ocorrência de um possível surto da doença e a falta de medidas adequadas de isolamento dentro da casa prisional.

Na manifestação protocolada junto ao órgão ministerial (Notícia de Fato nº 01912.000.600/2026), o denunciante alertou que apenados com diagnóstico confirmado estariam sendo mantidos nas mesmas celas e galerias que presos saudáveis, sem isolamento respiratório, sem triagem de sintomáticos e sem o fornecimento de máscaras de proteção adequadas. O relato também destacou o risco de contágio para fora da unidade, uma vez que familiares — incluindo mulheres, crianças e idosos — e advogados seguiam entrando nas galerias durante as visitas sem serem avisados sobre a circulação da bactéria, transmitida pelo ar.

Estado confirma 16 casos e aponta limitações estruturais

Acionada pelo Ministério Público para prestar esclarecimentos no processo, a Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS), por meio de sua Procuradoria Setorial e da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde (2ª CRS), confirmou a gravidade do cenário. Em ofício anexado aos autos no dia 9 de outubro, o órgão estadual admitiu que as medidas de isolamento previstas em protocolo não estão sendo cumpridas na totalidade porque o prédio do presídio não oferece condições estruturais adequadas.

Segundo o documento oficial da 2ª CRS enviado à promotoria, não tem sido possível realizar o isolamento de pessoas com suspeita ou diagnóstico de tuberculose no ingresso ao estabelecimento prisional, mantendo-as separadas das demais pessoas privadas de liberdade até a realização da busca ativa e obtenção dos resultados dos exames ou, nos casos indicados, até a negativação da baciloscopia, em razão de limitações de infraestrutura física do Presídio Estadual de Três Passos.

Os levantamentos oficiais anexados ao expediente do Ministério Público mostram que os registros da doença na unidade se arrastam há meses. De acordo com a relação informada pela própria administração prisional no final de agosto, além de ocorrências no início do ano, pelo menos nove casos vinham sendo registrados em sequência desde o mês de abril, somando na ocasião 10 detentos em tratamento ativo dentro da unidade e um transferido para o presídio de Carazinho. Conforme o documento, os presos diagnosticados encontravam-se distribuídos em diferentes locais de recolhimento, abrangendo celas distintas das galerias A, além do Alojamento.

Um dos apenados chegou a ficar hospitalizado por uma semana, entre o fim de junho e o início de julho, antes de retornar ao convívio no setor prisional.

Procurada pela reportagem do Observador Regional, a 2ª Coordenadoria Regional de Saúde confirmou que, atualmente, existem 16 casos ativos de tuberculose registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) relacionados ao estabelecimento prisional.

Siga o grupo do Três Passos News no WhatsApp:

https://chat.whatsapp.com/C8q0abPY2732tGJDyzjGGk

Em resposta, o órgão explicou que, devido à dinâmica de entrada e saída de detentos, o número absoluto isoladamente não permite rotular o caso tecnicamente como surto, mas admitiu tratar-se de um agregado de casos epidemiologicamente relevante que demanda intensificação das ações de vigilância, prevenção e controle.

Obesrvador Regional