Dois policiais penais, um homem e uma mulher, foram presos nesta quinta-feira (11), em Uruguaiana, durante a Operação Aliança Velada, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A investigação aponta que os servidores integravam um esquema de corrupção que permitia a entrada de celulares e drogas em unidades prisionais, favorecendo a atuação de uma organização criminosa que movimentou R$ 55,7 milhões em apenas 16 meses.

A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal. Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão em diversas cidades gaúchas, incluindo Uruguaiana, Itaqui e São Borja.

Conforme o Ministério Público, a facção mantinha uma estrutura organizada dentro e fora dos presídios, com lideranças encarceradas que continuavam comandando o tráfico de drogas e outros crimes. Parte desse funcionamento, segundo a investigação, dependia da atuação de agentes públicos corrompidos.

As apurações indicam que os dois policiais penais presos recebiam vantagens para facilitar a entrada de materiais ilícitos nas casas prisionais e também atuavam como elo entre integrantes presos e criminosos em liberdade. A base das operações estaria concentrada em unidades prisionais de Uruguaiana, Itaqui e na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27,8 milhões, o sequestro de 30 veículos e três imóveis. A investigação também revelou a utilização de contas de terceiros, empresas de fachada e até uma organização não governamental para ocultar recursos provenientes das atividades criminosas.

A Operação Aliança Velada teve origem na análise de um celular apreendido em outra investigação realizada pelo GAECO em 2025. A partir das informações extraídas do aparelho, os investigadores identificaram a estrutura da organização e o suposto envolvimento de servidores públicos no esquema.

Segundo o coordenador estadual do GAECO, promotor Rogério Meirelles Caldas, a investigação revelou uma organização criminosa com hierarquia definida e forte dependência da corrupção dentro do sistema prisional para manter suas atividades.
SB News, com informações do Ministério Público do RS
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