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O Sicoob Central SC/RS promoveu no dia 18 de outubro, em Bento Gonçalves (RS), o 9º Encontro dos Dirigentes, com o tema Segurança da Informação. O Brasil é um dos países que mais sofre com ataques cibernéticos, com prejuízos financeiros milionários, que também geram perda de credibilidade nos negócios. O presidente do Sicoob Central SC/RS, Rui Schneider da Silva, disse que “este é o tema que todas as organizações e pessoas têm que enfrentar, com mudanças de hábitos, processos e tecnologia para garantir a privacidade e a segurança dos dados que trafegam pelas redes sociais ou que estejam arquivados em algum lugar, físico ou na nuvem”. Acrescentou que a responsabilidade aumenta principalmente para as instituições financeiras, que cuidam de ativos de terceiros e que são, ao mesmo tempo, organizações que utilizam os mais modernos e seguros meios disponíveis para evitar ataques cibernéticos.

Ataques

Eduardo Batista, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC) e especialista em Segurança da Informação no setor financeiro, ministrou palestra sobre a “Resolução do Conselho Monetário Nacional 4.658/2018 – Política de Segurança Cibernética em Instituições Financeiras – abrangência e impactos”. Batista disse que “os ataques estão cada vez mais intensos e sofisticados”. Por isso, explicou, o Conselho Monetário Nacional tem implementado Resoluções com o objetivo de regular e melhorar, cada vez mais, o trânsito de dados e as responsabilidades que competem a cada um. O diretor de Negócios da Central SC/RS, Olavo Lazzarotto, coordenou as perguntas endereçadas ao palestrante.

Conscientização

Renan Huguenin, da Icatu Seguros, que é engenheiro de Computação, pós-graduado em Criptografia e Segurança de redes, abordou em talk show “O Poder da Conscientização em Segurança da Informação para a Efetividade da Proteção de Dados”. Huguenin explicou que toda pessoa precisa ser proativa na sua proteção, o que consiste em cuidados básicos que começam com o correto descarte de lixo, cuidados com a “língua solta” e a “rádio peão” nos corredores da empresa. Além disso, cuidar dos seus dados e dos acessos nas redes sociais.

Huguenin fez uma provocação ao perguntar à plateia “por que nos preocupamos mais com a segurança de um imóvel do que de nossos aparelhos eletrônicos?”, porta de entrada de golpes que também podem significar grandes prejuízos. A prevenção, aconselhou, passa pela troca constante de senhas nas redes sociais e no e-mail próprio, senhas de acesso a dados mais importantes, antivírus e antimalware, e muito cuidado com estações compartilhadas.

E se uma empresa é atingida, seus funcionários também sofrem os impactos que podem ser de perda de benefícios, estagnação salarial e demissões por perda de mercado. Por isso, concluiu Huguenin, “um ambiente seguro é você quem faz”.

Riscos a evitar

A palestra de Adriano Carmo, especialista em Segurança da Informação com atuação na Superintendência de Governança de TI, Segurança e Inovação do Bancoob, disse que a segurança cibernética passa por três pilares: pessoas, ferramentas e processos. Segundo o palestrante, estudos da Internet Society apontam que 95% dos incidentes de segurança relacionados a vazamentos de dados poderiam ter sido evitados. Mais de 80% dos riscos ocorrem a partir da ação – intencional ou não – de funcionários e parceiros das empresas. Por isso, 85% dos consumidores estão preocupados com a proteção de seus dados pessoais. No último ano houve um aumento de 67% de incidentes com vazamentos de informações. Há 5 bilhões de registros expostos na internet. E o cybercrime movimenta US$ 1,5 trilhão.

Por tudo isso, “os riscos cibernéticos precisam estar na agenda da alta administração das empresas e instituições”. Acrescentou que os novos modelos de negócios e transformação digital precisam estar alinhados aos requerimentos de segurança e que há um enorme desafio de relacionamentos digitais, que envolvem compartilhamento de dados com parceiros, clientes e fornecedores. “Agilidade e experiência do usuário alinhados com segurança e privacidade são desafios da digitalização”, concluiu. A condução das perguntas, no debate, foi da diretora Operacional do Sicoob Central SC/RS, Elisete Cavalieri.

Crises cibernéticas

Marcelo José Oliveira Yared, que é analista da Diretoria de Fiscalização do Banco Central do Brasil abordou o tema da Resiliência Cibernética para o Sistema Financeiro. O palestrante explicou que os objetivos do Bacen consistem em aumentar a resiliência do Estado contra ameaças cibernéticas, e integrar governo, setor privado e meio acadêmico na proteção do espaço cibernético brasileiro. Acrescentou que “é preciso treinar os gabinetes de crise sobre infraestruturas críticas nacionais e atuar na solução de eventos de alto impacto”.

Informou que em setembro deste ano foi criado o grupo de trabalho interdepartamental para aprimorar a resiliência cibernética do sistema financeiro brasileiro. A Febraban também avalia a formação de um grupo de coordenação de crises cibernéticas no setor financeiro e um mapeamento dos principais riscos cibernéticos com impacto sistêmico.

Entre os conselhos às empresas e instituições, citou a necessidade de criptografar comunicações confidenciais, não dar acesso a tudo para todos, não ignorar alarmes e riscos, não ficar nem mais um dia sem um plano de respostas a incidentes. E brincando com a falta de cuidados, sugeriu “não armazenar senhas em uma pasta chamada ‘senhas’”.

Sem os devidos cuidados, os impactos no mundo corporativo podem ser enormes, principalmente em danos à imagem, queda na confiabilidade, perda de clientes, perda de ativos e até mesmo a falência do negócio. Segundo pesquisa, 69% dos brasileiros deixariam de comprar de uma empresa que não protegesse corretamente os dados do cliente; 59% buscariam um concorrente; 81% fariam um boicote familiar; 74% denunciariam aos órgãos reguladores e 65% fariam comentários aos órgãos reguladores.

Explicou que é preciso conhecer os atores de ameaças e seu perfil de risco contra os ataques. Entre os principais, elencou os hackers script kids, os hacktivistas, o crime organizado, o terrorismo e os próprios funcionários e parceiros de negócios. As regulamentações mostram que o cenário é de grandes desafios para as organizações do setor financeiro. “Os custos dos danos causados por crimes cibernéticos devem chegar a US$ 6 trilhões ao ano até 2021”, alertou. A coordenação do debate da palestra de Marcelo Yared coube ao presidente do Sicoob Central SC/RS, Rui Schneider da Silva.

No Sicoob SC/RS

David Machado, gerente de Tecnologia da Informação do Sicoob Central SC/RS e Paulo Silva, doutor pela Ufsc e diretor de Consultoria da Tracker Segurança da Informação, ministraram palestra sobre a Segurança da Informação no Sicoob Central SC/RS. David apresentou um histórico do projeto no Sicoob SC/RS, de 2009 a 2012, em atendimento à Resolução 3.380 do Bacen. Na Central, a análise de risco de segurança da informação abrangeu as áreas tecnológicas, humanas e físicas. A Política de Segurança da Informação consistiu na implementação de diretrizes físicas e lógicas, e a Auditoria da Segurança da Informação verificou todos os aspectos das políticas implementadas.

“Entre 2012 e 2015 fizemos a propagação do projeto para as cooperativas do Sistema Sicoob SC/RS, com análise de risco de segurança da informação, política de segurança da informação e auditoria da segurança da informação”. Em 2016 e 2017 não houve auditorias em TI na Central SC/RS, porém, os treinamentos e as atualizações da Política de Segurança da Informação prosseguiram. Desde 2018 o Sicoob Central SC/RS vem desenvolvendo a política de classificação da informação. Também deu início às discussões da Resolução 4.658 do Bacen, sobre política de segurança cibernética, e também começou a debater e esclarecer as cooperativas sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e a promover auditorias em cada uma delas. Anualmente, a Central SC/RS promove a Semana da Segurança da Informação, com palestras e atividades para todos os funcionários.

Paulo Silva, que tem 14 anos de experiência em consultoria e auditoria em Gestão de Segurança da Informação, explicou o que vem sendo executado no Sicoob SC/RS e os desafios para o futuro. “Precisamos ter atenção, principalmente, em equipar pessoas, processos e tecnologias”, afirmou. Silva disse que o Sicoob SC/RS tem realizado “varreduras e testes de invasão” para aprimorar o sistema de defesa cibernético da instituição.

Fez, ainda, um breve resumo da Lei Geral de Proteção de Dados, que “vai empoderar o cidadão, que agora passa a ser proprietário da sua própria informação”. O governo e as empresas poderão tratar dados, “mas cada pessoa terá o direito de saber quais são os dados que estão sendo coletados, para quais finalidades e com quem estão sendo compartilhados”. Em síntese, “essa legislação veio para dar mais controle ao usuário sobre os seus próprios dados”, assinalou. A condução do debate, ao final da palestra, coube à diretora Administrativa do Sicoob Central SC/RS, Maria Luisa Lasarim.

Proibido estacionar na vida

A palestra final do Encontro foi com o professor José Rafael Medeiros Filho, autor de vários livros, entre eles, Proibido Estacionar na Vida, que foi o tema que apresentou aos dirigentes do Sicoob SC/RS. Formado em Administração de Empresas com especialização em Recursos Humanos, já ministrou palestras em todos os estados do Brasil e possui vasta experiência na área de consultoria organizacional.

Com uma linguagem bem-humorada, Rafael mostrou que a vida não é uma corrida para velocistas, mas para aqueles com maior fôlego e que vão até o fim. “A história está cheia de projetos que morreram inacabados”. Por isso, acrescentou, “tão importante quanto começar algo é permanecer naquilo que se iniciou”.

Com vários exemplos, muitos deles narrados de forma engraçada, o palestrante fez uma síntese dos tempos atuais, em que a “correria” virou um padrão. “Estamos formando uma geração de ‘urgentinhos’”, brincou. Sem planejamento, há um aumento de respostas reativas e pessoas cada vez mais desfocadas. Explicou que trabalhar muito nem sempre significa alcançar bons resultados, pois é preciso gerenciar o tempo para obter maior produtividade.

Citando Confúcio, que recomendava “cavar um poço antes de ter sede”, Rafael disse que “não devemos nos acomodar com o que já conquistamos, afinal, o novo está sendo gestado permanentemente”. Alertou que “é preciso ter cuidado com o sucesso, pois se é fundamental celebrar as vitórias, o período de comemoração não deve nos distrair por muito tempo”. E insistiu: “vivemos num mundo em que a única certeza é a mudança e para ficar para trás, basta ficar parado”.

E como o tempo é finito, sugeriu “diminuir paulatinamente o tempo gasto com as distrações de baixa qualidade, transferindo-o para aquilo que realmente vale a pena na vida”.

Outro conselho importante é não deixar morrer o potencial que cada pessoa tem dentro de si, pois “ela é o combustível que o levará a ter persistência e determinação para alcançar aquilo que deseja”. Para o palestrante, “potencial é um poder que está escondido, às vezes, dentro de nós, esperando ser revelado”.

E sugeriu, por fim, cinco passos para alcançar melhores resultados: anotar, separar as informações, guardá-las, planejar e executar as ações. Porque ninguém está proibido de sonhar, mas se quiser alcançar o que deseja, “a condição fundamental é ter atitude, parar de adiar, começar a planejar e agir”, concluiu.

O 9º Encontro dos Dirigentes do Sicoob SC/RS, organizado pela Diretoria Administrativa, foi encerrado com um jantar e breves discursos do vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul, Nestor Bonfanti, da secretária de Finanças da Prefeitura de Bento Gonçalves, Mariana Largura (que representou o prefeito Guilherme Rech Pasin) e do presidente do Sicoob Central SC/RS, Rui Schneider da Silva, que encerrou oficialmente o evento, que é realizado a cada dois anos. Esta foi o primeiro encontro realizado em um município gaúcho e a escolha da data, integrou as comemorações do Dia Internacional das Cooperativas de Crédito – 17 de outubro.

Sobre o Sicoob

O Sicoob é o maior sistema de cooperativas de crédito do Brasil, com 4,4 milhões de associados – cerca de 2,7 mil novos sócios por dia útil. Está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. É composto por 435 cooperativas singulares, 16 cooperativas centrais e a Confederação Nacional das Cooperativas do Sicoob (Sicoob Confederação). Integram, ainda, o Sistema, o Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob) e suas subsidiárias (empresas de cartões, consórcios, DTVM, seguradora e previdência), que são provedoras de produtos e serviços especializados para cooperativas financeiras.

A rede Sicoob é a quinta maior entre as instituições financeiras que atuam no país, com 3,1 mil pontos de atendimento em 1.728 municípios. São mais de 36 mil funcionários em todo o país e 4.900 caixas eletrônicos próprios, além de 20 mil pontos da Rede Banco24Horas.

O Sicoob possui tecnologia de ponta em aplicativos e internet banking que facilitam o atendimento de pessoas físicas e jurídicas. Elas podem movimentar a conta corrente de qualquer lugar onde estejam, com acesso a pagamentos, transferências, cartões e outros serviços. O aplicativo Sicoob é o mais bem avaliado pelas pessoas no segmento bancário, na Apple Store e Google Play. Tem recebido vários prêmios competindo com os principais bancos do país, como aconteceu em 2019, na 19ª edição do Prêmio efinance, vencido pelo Sicoob nas categorias Gestão de Risco e Infraestrutura de TI.

O Sicoob SC/RS está presente em 261 municípios (88% do total) de Santa Catarina, 43 no Rio Grande do Sul e 21 no Paraná. São 490 pontos de atendimento para estar cada vez mais próximo dos associados. O Sicoob SC/RS possui mais de 970 mil associados e ativos de R$ 15,5 bilhões.

No Rio Grande do Sul, a meta para os próximos anos é instalar agências em todos os municípios com mais de 20 mil habitantes.

Sicoob Central SC/RS – Assessoria de Imprensa