O Rio Grande do Sul entra em maio com um padrão climático definido: mais entradas de ar frio do que o habitual, chuva acima da média histórica e temperaturas oscilando entre períodos de calor e ondas de frio.
A projeção é de pelo menos duas incursões de massa de ar polar ao longo do mês, uma por volta do dia 12 e outra no final de maio, com possibilidade de geada, ainda que sem caráter generalizado.
O feriadão do Dia do Trabalho já antecipa essa dinâmica. Nesta sexta-feira (1º), uma frente fria atravessa o Estado e traz temporais, vento forte e chance de granizo. A chuva começa na madrugada pelo Oeste e se espalha rapidamente pela manhã por quase todas as regiões.
A Defesa Civil alerta para tempestade severa, com rajadas que podem superar 80 quilômetros por hora (km/h).
Os acumulados de precipitação variam entre 10 e 60 milímetros (mm), podendo passar de 90 mm no Oeste, no Centro e na Campanha.
As áreas que exigem maior atenção incluem Missões, Noroeste, Norte, Costa Doce, Região dos Vales, Região Metropolitana, Serra, Nordeste e Litoral Norte.
Bloqueio atmosférico e transição para o inverno
A explicação para o maior volume de frio no Sul ao longo do mês está em um fenômeno chamado bloqueio atmosférico. Uma área de alta pressão se instala sobre o continente e impede as frentes frias de avançarem para o Sudeste e o Centro-Oeste.
Na prática, o ar polar que chega ao Rio Grande do Sul e a Santa Catarina fica retido na região, enquanto São Paulo, Espírito Santo e Goiás devem receber poucas frentes frias no período, segundo projeções da Climatempo.
Para o meteorologista Murilo Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), maio historicamente já é um mês de transição marcado pelo aumento das entradas de frio.
— Historicamente, a gente começa a ter mais ingressos de massas de ar frio com um pouco mais de intensidade — aponta Lopes.
Em Porto Alegre, as normais climáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o período de 1991 a 2020 indicam mínima média de 13,6ºC e máxima média de 22,6ºC. A precipitação esperada gira em torno de 112 milímetros.
Para este ano, a tendência é de chuva acima desse valor, com o norte gaúcho registrando temperaturas ligeiramente superiores à média histórica.
Oscilações e veranicos
A temperatura no Estado deve oscilar bastante. O mês deve ter períodos de veranico, que são intervalos de calor fora de época, com temperaturas acima da média e ausência de chuva, e que podem ocorrer mesmo no outono ou inverno no Sul do Brasil.
Esses episódios costumam durar entre quatro e cinco dias e são resultado da alternância entre massas de ar quente e frio, característica do mês de maio no Estado. Apesar de trazerem temperaturas mais elevadas, tendem a ser interrompidos pela chegada de novas frentes frias.
— A temperatura deve ficar um pouco mais elevada em relação à média, mas é pouca coisa. A gente pode ter uma semana ali, um período de quatro, cinco dias de temperatura mais alta, mas, ao mesmo tempo, a massa de ar frio chega com mais frequência. Não vai ser algo persistente — comenta Lopes.
O meteorologista também não descarta a ocorrência de geada ao longo do mês, embora sem caráter generalizado. As entradas de frio mais intensas estão previstas por volta do dia 12 e no final de maio.
Nos últimos anos, os meses de maio no Rio Grande do Sul têm registrado volumes de chuva acima da média com frequência. Lopes cita 2019, 2021 e 2023 como exemplos, antes mesmo de maio de 2024, que quebrou todos os recordes.
Naquele mês, Porto Alegre acumulou 539,9 milímetros de chuva, segundo o Inmet, o que representa mais de quatro vezes a média histórica e o maior volume já registrado em qualquer mês da série histórica da Capital.
— A gente tem uma tendência de aumento de precipitação no mês de maio ao longo dos últimos anos. Mas isso não quer dizer que vamos ter um volume igual ao de 2024, porque aquilo foi uma condição bem particular — pondera Lopes.
Influência do El Niño
Outro fator que deve influenciar o clima gaúcho nas próximas semanas é o desenvolvimento do El Niño.
O aquecimento das águas do Pacífico equatorial segue em curso, e o fenômeno deve ganhar força ao longo de maio, com impactos mais concretos na atmosfera esperados para o final do mês ou início de junho.
— O cenário de aquecimento do Pacífico continua e deve persistir. Leva um tempo até gerar uma resposta na atmosfera, mas já existe uma perspectiva de que o El Niño comece a influenciar mais claramente a partir do final de maio, início de junho — explica o meteorologista.
E o El Niño pode provocar novas cheias no Rio Grande do Sul, como ocorreu em 2024? Na ocasião, é bom ressaltar, o fenômeno foi apenas um dos fatores envolvidos.
Gaúcha ZH
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