O trecho da BR-386 que passa por Soledade, no norte do Estado, teve aumento de 91% no número de acidentes entre 2024 e 2025. Ao todo, foram 150 ocorrências na via que lidera em acidentes graves, com 14 mortes, e também em bloqueios de pista.
Conhecida como Rodovia da Produção, a BR-386 concentra grande fluxo de caminhões, principalmente em períodos de safra.
Desde 2021, o risco de acidentes aumentou devido às obras de duplicação que prometem melhorar a segurança e reduzir o tempo de viagem do norte gaúcho à Capital. Enquanto os trabalhos avançam, os condutores enfrentam mudanças nas faixas, com sinalização provisória.
Além do trânsito intenso, a via é de pista simples, o que deixa os condutores mais vulneráveis a acidentes graves causados por ultrapassagens e colisões frontais. Foi o caso de um acidente que matou quatro pessoas da mesma família em abril de 2025, entre Soledade e Fontoura Xavier. Em novembro passado, outra ocorrência vitimou um homem de 29 anos. Nos dois casos, um dos veículos envolvidos invadiu a pista contrária.
Um dos trechos críticos é o de 60 quilômetros entre Tio Hugo e Fontoura Xavier considerado um ponto de alto Volume Diário Médio (VDM) de veículos. O segmento é um dos principais da região, responsável por conectar o norte gaúcho a Porto Alegre.
— É uma rodovia muito movimentada. Quanto mais tiver fiscalização, melhor para todos que utilizam a estrada — defende o caminhoneiro Roberto Silveira Ruppenthal.

Falta de policiamento
Mesmo nesse cenário, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) não mantém expediente fixo no trecho que liga o norte gaúcho à Capital pela BR-386. Segundo o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do RS, o problema ocorre pela falta de efetivo, fator que impede a presença diária de agentes no posto da PRF localizado em Soledade.
— A BR‑386 registra todo os dias uma enorme circulação de caminhões, mas Soledade sofre com déficit de efetivo, assim como outras unidades do Estado — disse o presidente do sindicato, Leandro Wachholz.
Quando não há operação no posto, o atendimento e a fiscalização deixam de ocorrer de forma presencial, o que impacta diretamente ações de controle de velocidade, de ultrapassagens, de alcoolemia e a resposta imediata a ocorrências.
Previsão de incremento no efetivo a partir de abril
Em Lagoa Vermelha, após reorganização do serviço, a fiscalização voltou a ocorrer diariamente no entroncamento da BR‑470 com a BR-285, importante ligação entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Segundo o chefe da delegacia da PRF em Sarandi, Fernando Morbini, responsável pelo trecho, a atuação no local envolve fiscalização eletrônica de velocidade, controle de ultrapassagens, testes de alcoolemia e combate a crimes:
— Vamos manter (o posto de) Lagoa Vermelha 100% aberto, com fiscalização frequente. É um ponto fundamental para controlar eventuais crimes, como tráfico de drogas. Duas rodovias importantes se cruzam em Lagoa, então é importante reforçar o policiamento.
No fim de 2025, a delegacia de Sarandi reforçou o policiamento em Soledade, que pertence à delegacia de Lajeado. Conforme Morbini, a PRF tem remanejado agentes entre delegacias para tentar suprir as áreas com maior índice de acidentes.
— Houve pedido para que enviássemos rondas para auxiliar no trecho da BR-386 justamente por ter um índice muito alto de acidentalidade — acrescenta.
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal afirmou que não há postos fechados no Estado, mas unidades com expediente não fixo, devido à limitação de efetivo. A superintendência da PRF no RS diz que aguarda a chegada de 20 novos policiais até abril.
Gaúcha ZH
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