Saúde
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Mais de 60 profissionais da área da saúde já receberam a vacina experimental Coronavac no Hospital São Lucas de PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre. Eles fazem parte de um grupo de 825 voluntários engajados ao estudo, desenvolvido em parceria com o Instituto Butantan-SP e a empresa fabricante, a farmacêutica chinesa Sinovac.

Os testes começaram na noite de 8 de agosto e devem continuar até o último bimestre deste ano, a fim de avaliar se o produto funciona e é seguro para o organismo. Ao todo, aproximadamente 9 mil médicos, enfermeiros e outros trabalhadores se apresentaram para a pesquisa em todo o País, no âmbito de 11 instituições universitárias e hospitalares – a PUCRS é a única instituição participante no Rio Grande do Sul.

Atualmente em sua terceira e última fase final (que envolve a pesquisa clínica com seres humanos), o projeto da Coronavac recebeu mais de 5 mil manifestações de interesse por candidatos gaúchos, que passaram por uma seleção rigorosa.

Metade do grupo recebe duas doses do imunizante em um intervalo de 14 dias, ao passo que o restante do pessoal recebe placebo (substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito) na mesma quantidade. Assim que esse protocolo é cumprido, começa um monitoramento contínuo e a documentação de resultados.

Nas etapas 1 e 2, o laboratório – sediado na capital chinesa Pequim – já havia realizado cerca de mil testes no país asiático, por meio de um modelo experimental aplicado em macacos. A farmacêutica relatou ter obtido resultados expressivos em termos de resposta imune contra as proteínas do coronavírus.

Outras instituições

A vacina experimental começou a ser injetada nos braços brasileiros ao longo da primeira semana de agosto, tendo como “cobaias” profissionais de saúde da UnB (Universidade de Brasília) e depois do Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP).

Em seguida, foi a vez dos voluntários do Hospital das Clínicas da UFPR (Universidade Federal do Paraná) em Curitiba e da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP), além do Hospital São Lucas da PUCRS. Confira as demais instituições envolvidas:

– Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP;

– Instituto de Infectologia Emílio Ribas;

– Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto;

– Universidade Municipal de São Caetano do Sul (SP);

– Universidade Federal de Minas Gerais;

– Hospital Israelita Albert Einstein;

– Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas-RJ.

Logística

A empresa fornece as doses para realização dos testes clínicos, destinados a verificar eficácia e segurança. Caso esses dois requisitos sejam preenchidos, um acordo de transferência de tecnologia prevê a produção em escala industrial por ambos os países.

No Brasil, a ideia é fornecer a vacina gratuitamente no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), após o registro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“A CoronaVac utiliza uma tecnologia já amplamente aplicada em outros produtos do gênero e, por esse motivo, o Butantan avalia que sua incorporação ao sistema de saúde deva ocorrer mais facilmente”, avalia a PUCRS.

O Sul