Variedades

Há cerca de meio século quando buscávamos a medicina dizendo que estávamos ouvindo vozes e vendo fantasmas, alegando que isso nos perturbava seriamente, o clínico geral nos mandava a um psiquiatra, e este por sua vez, se tínhamos quadro de irritabilidade ou ingeríamos bebida alcoólica, nos baixava em hospício, já que assim era chamado os hospitais para os ditos “loucos”.

Não era raro o tratamento com eletrochoque e medicação fortíssima, e o paciente devolvido à sua residência após período como verdadeiro “zumbi”, que mal reconhecia os parentes. 

Lamentavelmente era o recurso para os transtornos, já que muitos apresentavam quadros de violência em razão da ingestão de bebida com medicamentos.

Os tempos mudam e através de alguns seguimentos religiosos implantam-se fazendas de acolhimento com dignidade humana, e médicos já admitem que os casos que evolve o comportamental estão relacionados a fatores algo mais que o corpo material, tanto que muitos já fazem parte da AME-Brasil, Associação Médico – Espírita do Brasil. 

Atingimos um nível que possibilita procurar-se na religião respostas para diversos transtornos que antes era tratado como patologias. Mas foi em 1860 através do Livro dos Médiuns, escrito por Kardec, que questões relativas a comportamento perturbado, transtorno, são devidamente explicados, possibilitando a ciência ver por outro prisma os sintomas, ministrando medicação e tratamento adequado.

O alcoolismo é também explicado do ponto de vista religioso, e o “beberrão” hoje é considerado um doente e não uma pessoa “sem vergonha na cara” como se dizia, e ainda dizem alguns ignorantes.

O alcoólatra que passa a se tratar em grupos para ficar sem ingerir bebidas, é considerado um doente em recuperação em todos os dias de sua vida futura.

Paralelamente a vontade de beber, existe um processo obsessivo que crenças explicam, por isso temos de ter cuidado ao dizer que bebemos “socialmente”, pois nunca sabemos quando já nos consideramos alcóolatras e vamos surtar ouvindo vozes ou vendo fantasmas.

Nilton Moreira