Denúncia
Foto: Canguçu Online

A Polícia Civil e o Ministério Público seguem recebendo denúncias contra o médico Cairo Barbosa, réu por violação sexual mediante fraude. Alvo de quatro denúncias de ex-pacientes até o dia da primeira matéria publicada pelo Canguçu Online sobre o assunto, no dia 26 de maio, o profissional agora já tem contra ele 16 denúncias registradas: 13 na Polícia Civil e três, no MP. O número tende a aumentar, já que outras sete mulheres procuraram a delegacia e ainda devem prestar depoimento. Uma dessas mulheres falou sobre seu caso à reportagem.

A nova denunciante é a mais jovem entre todas que contataram a Polícia Civil até o momento. E o suposto abuso é o mais recente. Segundo ela, foi vítima de Cairo há apenas 11 meses, quando tinha 20 anos e estava grávida pela primeira vez. A conduta adotada pelo médico, pelos relatos, teria sido muito semelhante à utilizada nos outros casos: sem utilização de luvas e com adoção de procedimentos à margem dos exames convencionais.

“Ele começou a me tocar de uma forma desagradável, sem luva. E eu disse para ele que não estava me sentindo confortável. E ele disse ‘não, eu preciso ver porque no momento que eu te tocar a mulher, no momento da masturbação, as contrações vêm em ritmos mais rápidos’. Eu nunca tinha ouvido falar na questão, mas como era mãe de primeira viagem não iria recusar a questão do médico ali no momento. Então eu pedi para ele se poderia chamar minha mãe porque estava realmente me sentindo muito desconfortável. E o médico disse que não, que não era hora de chamar a minha mãe. Então eu pedi para ele que parasse de realizar aquele procedimento. Ele disse que ainda precisava realizar aquele exame de toque. Ele fez o exame de toque, fez o exame de toque muito a fundo, e fiquei com sangramento. Ele me questionou se eu tinha comigo um absorvente e eu relatei que não. E ele disse ‘então vou te alcançar um papel para ti colocar porque tu vai ficar com algum sangramento agora pela questão de eu ter que examinar exatamente como está o teu colo (do útero). E nesse momento eu realmente estava muito comprimida. Ele pediu para eu relaxar. Eu disse que eu não conseguia e ele terminou o exame”, relatou.

Ainda segundo a ex-paciente, que estava com 37 semanas e seis dias de gestação no momento do exame, o médico teria provocado uma lesão na sua placenta em razão da força dos toques no colo do útero. Dias depois ela viria a contar para a sogra sobre a maneira como transcorreu a consulta. Por insegurança de denunciar um médico, porém, não contou à própria mãe nem ao namorado.

Denúncias

De acordo com a Polícia Civil, mulheres que porventura tenham sofrido o mesmo tipo de violência devem procurar a delegacia para que o caso também seja investigado. Os contatos podem ser feitos pelos números: (53) 3252-7876 ou (53) 98424-2253.A Promotoria de Justiça de Canguçu também disponibilizou contatos para mulheres que desejam falar diretamente com o órgão ou com a promotora Luana Rocha Ribeiro. Audiências virtuais podem ser marcadas com total sigilo e segurança. Os contatos são: (51) 99738-9572, (53) 99923-9641 e (53) 3252-1137. Há também o e-mail: mpcangucu@mprs.mp.br.


O que diz o Cremers

De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), a conduta do médico Cairo Barbosa passará por uma sindicância para ser apurada.

O que diz a defesa

“As acusações são bem graves. Não existe uma prova da ocorrência. A defesa que foi apresentada nesta quarta-feira, no processo, já traz em caráter preliminar fortes elementos da inocência do nosso cliente. Os fatos são inexistentes. Uma das exigências do doutor Cairo é que o processo tramite o mais rápido possível para que a verdade de estabeleça”, diz a nota da defesa de Cairo Barbosa.

Repercussão

O caso envolvendo o médico Cairo Barbosa vem tendo grande repercussão na imprensa, inclusive nacional. Os jornais Zero Hora, Correio do Povo e Diário Popular são alguns dos que já noticiaram o tema. A Rádio Gaúcha também vem dando cobertura ao assunto. Vários sites, como GaúchaZH, também fizeram matérias sobre o caso. SBT, RBS TV e Record (assista abaixo) foram outros veículos a exibirem reportagens em seus noticiários.

Repercussão na Câmara de Vereadores

Durante sessão realizada na segunda-feira (31) na Câmara de Vereadores, a vereadora Iasmin Roloff (PT) se pronunciou sobre o caso.

“Quero me solidarizar com todas as mulheres que passaram por este tipo de constrangimento e este tipo de situação, não é nada fácil. E, ao mesmo tempo, quero dizer para outras mulheres que possam estar nos escutando, se sofreram algum tipo de violência nas mãos deste médico ou de qualquer médico, não se calem, procurem a Justiça, procurem a delegacia de polícia”, disse.

O vereador Cesar Madrid (Progressista) também falou sobre o assunto. “As pessoas parecem que estão com medo de falar (…) Alguém precisa puxar os assuntos para tentar fazer com que as coisas venham à tona, senão, não vem!”, falou.

Canguçu Online