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Foto: Arquivo pessoal

A angústia por uma notícia sobre o estado de saúde do agricultor Alvaro Bernardes Camargo, de 63 anos, internado na UTI com Covid-19, fez Afonso Schifino Camargo, de 36 anos, escrever no gramado de casa ‘volta pai’, em Palmares do Sul, a 90km de Porto Alegre.

“Eu escrevi cortando grama. A gente ficava esperando [o boletim médico]. Foi num dia em que eu estava esperando e deram a notícia de que não tinham conseguido tirar o tubo dele. Daí é muito choro, muito desespero, muito complicado esses 24 dias que ele ficou entubado. Escrevi na grama, em letras grandes, pra dar uma força, passar uma energia boa para ele”.

O produtor rural testou positivo para a doença no início de novembro e está há 44 dias internado no Hospital São Lucas da PUC. Alvaro deixou a UTI no dia 21 de dezembro, mas segue no hospital.

“Quando ele viu a foto da grama se emocionou. Minha irmã, que estava com ele, me ligou e ele falou poucas palavras: ‘muito obrigado, filho’. Fiz aquele escrito todo torno, sem muito planejamento, mas a mensagem deu certo”, contou Afonso ao G1.

Pai de quatro filhos, avó de três netos, e casado há 37 anos com a Alzira Schifino Camargo, de 63 anos, Alvaro planta arroz e soja em Capivari do Sul. O filho conta que o pai precisou ser internado no dia 13 de novembro e logo foi entubado, mas apresentou melhoras depois que a família conseguiu uma permissão para ver ele, mesmo na UTI.

“Isso prova que a nossa presença ao lado dele é muito importante. Essa doença, o coronavírus, tem os protocolos que os familiares não podem ficar perto, isso dificulta muito”, disse.

Ainda em recuperação, Alvaro se comunica com dificuldade, mas já pode receber a visita de familiares.

“Hoje [domingo (27)] eu estou aqui com ele. Não se lembra de muita coisa da UTI, lembra do dia que estava sem oxigênio. Disse que foi meio complicado, foi faltando ar, e até achou que poderia morrer”, conta Afonso.

O Natal da família Camargo não teve a presença física do pai, que passou a noite com um dos filhos no hospital, mas contou com a torcida de todos, mesmo à distância. “Foi difícil passar o Natal longe dele. Ele é muito família. Ele está se recuperando bem, em breve, daqui uns 10 dias, ele vai pra casa”.

Sobre a recuperação do pai e a ansiedade de voltar a ter ele em casa no início de 2021, Afonso diz que a sensação é “espetacular”.

“O melhor presente da minha vida”.

G1 RS